- O ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, é investigado por seu papel em tentativas de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.
- Novas evidências mostram que ele supervisionou campanhas de desinformação e discutiu planos de golpe, incluindo a Operação 142.
- Em agosto de 2021, Braga Netto enviou uma foto de tanques de guerra ao tenente-coronel Mauro Cid, sugerindo intimidação a parlamentares.
- Durante o Sete de Setembro de 2021, ele apoiou manifestações que atacavam o sistema eleitoral e o Judiciário.
- A Procuradoria-Geral da República afirma que Braga Netto foi um dos principais arquitetos da tentativa de golpe, contribuindo para a desinformação e instabilidade institucional.
O ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, é alvo de novas evidências que o implicam em tentativas de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro. As investigações revelam que ele teve um papel central na articulação golpista, incluindo a supervisão de campanhas de desinformação e discussões sobre planos de golpe, como a Operação 142.
Em agosto de 2021, Braga Netto enviou uma foto de tanques de guerra em frente ao Congresso Nacional ao tenente-coronel Mauro Cid, sugerindo uma conexão com o passado militar do Brasil. Dias depois, tanques da Marinha desfilaram em Brasília, coincidentemente durante a análise de uma proposta de emenda à Constituição que tratava do voto impresso. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumenta que esse episódio demonstra a intenção de Braga Netto de intimidar parlamentares.
A Escalada do Golpismo
O Sete de Setembro de 2021 foi um ponto crítico, com Bolsonaro fazendo discursos agressivos contra o STF e convocando manifestações que pediam intervenção militar. Gonet afirma que Braga Netto não apenas endossou essas manifestações, mas também trabalhou para garantir que elas atacassem o sistema eleitoral e o Judiciário. Documentos encontrados no celular de um assessor de Braga Netto revelam que ele estava envolvido na criação de uma narrativa favorável ao golpe.
Em julho de 2022, já como candidato a vice-presidente, Braga Netto participou de uma reunião ministerial onde Bolsonaro pediu esforços para desacreditar o sistema eleitoral. A PGR agora afirma que ele não apenas participou, mas supervisionou essa campanha de desinformação, atuando em um grupo de WhatsApp que discutia fraudes nas urnas eletrônicas.
O Papel na Operação 142
A Operação 142, um documento encontrado na campanha do PL, delineava um plano para anular as eleições e substituir o TSE. Braga Netto negou conhecimento sobre o documento, mas Gonet argumenta que é improvável que ele não estivesse ciente, dado seu envolvimento em ações relacionadas à desinformação eleitoral.
Além disso, uma reunião em seu apartamento em novembro de 2022, com a presença de Cid e outros militares, foi descrita como um planejamento para o golpe, incluindo discussões sobre assassinatos de autoridades. Gonet destaca que Braga Netto estava ciente das teses sobre a urna eletrônica e que sua conduta contribuiu para a escalada de tensão que culminou nos protestos de 8 de janeiro de 2023.
Pressão sobre Comandantes Militares
Após os comandantes do Exército e da Aeronáutica se oporem a um decreto golpista, Braga Netto tentou retaliar, fomentando a ideia de que esses oficiais eram “traidores da pátria”. Mensagens trocadas por ele revelam uma pressão sistemática sobre os militares que resistiram ao golpe, culminando em ataques virtuais e ameaças.
As novas evidências apresentadas pela PGR reforçam que Braga Netto não foi apenas um apoiador, mas um dos principais arquitetos da tentativa de golpe, contribuindo para um ambiente de desinformação e instabilidade institucional. A investigação continua, e as implicações de sua conduta podem ser significativas para o futuro político do Brasil.
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