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Cristosal abandona El Salvador devido à repressão e ameaça de prisão

Cristosal denuncia repressão em El Salvador e exila sua equipe após prisão de advogada e novas leis que controlam ONGs.

Ruth López, diretora anticorrupção e de justiça de Cristosal, em El Salvador, no dia 4 de junho de 2025. (Foto: Salvador Melendez/AP)
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  • A ONG Cristosal, de direitos humanos em El Salvador, anunciou seu exílio devido à repressão do governo de Nayib Bukele.
  • O diretor executivo, Noah Bullock, afirmou que a organização enfrentou a escolha entre prisão e exílio, optando por continuar a luta fora do país.
  • A situação se agravou com a prisão da advogada Ruth López e a implementação de uma nova lei que controla as ONGs, conhecida como “lei mordaza”.
  • Desde março de 2022, mais de 85 mil pessoas foram detidas, e a repressão se estendeu a jornalistas, com pelo menos 40 profissionais forçados a deixar o país.
  • Cristosal manterá suas atividades a partir de escritórios na Guatemala e Honduras, sem abrir mão da defesa dos direitos humanos em El Salvador.

Cristosal, uma ONG de direitos humanos em El Salvador, anunciou seu exílio devido à crescente repressão do governo de Nayib Bukele. A decisão foi confirmada pelo diretor executivo, Noah Bullock, que destacou que a organização enfrentou a escolha entre a prisão e o exílio. “Decidimos que não servimos de nada a as vítimas estando presos”, afirmou.

A situação se agravou após a prisão da advogada da ONG, Ruth López, e a implementação de uma nova lei que controla as ONGs, caracterizada como uma “lei mordaza”. Essa legislação permite ao governo decidir quais organizações podem operar no país, sob pena de acusações de lavagem de dinheiro. Bullock ressaltou que a repressão forçou a saída de ativistas e jornalistas, com pelo menos 20 defensores dos direitos humanos e 40 jornalistas fugindo do país entre junho e julho.

Ambiente de Medo

O clima de medo em El Salvador é palpável. Rumores sobre listas negras de opositores têm circulado, levando muitos a buscar refúgio no exterior. Bullock mencionou que essa situação é uma ameaça direta às vozes críticas. A repressão se intensificou desde que Bukele assumiu o poder, com a detenção de líderes comunitários e ativistas, incluindo López, que denunciava abusos no sistema prisional.

A ONG, que possui 25 anos de atuação, continuará suas atividades a partir de escritórios na Guatemala e Honduras. Apesar do exílio, Cristosal mantém sua personaria jurídica em El Salvador, buscando garantir a defesa dos direitos humanos. Bullock afirmou que a organização não deixará de lutar por López, que está em uma prisão de alta segurança e incomunicada.

Repressão Generalizada

Desde o início do regime de exceção em março de 2022, mais de 85 mil pessoas foram detidas, muitas apenas por parecerem suspeitas. Um relatório recente indicou que 28 pessoas são consideradas prisioneiras políticas no país. A repressão se estende a jornalistas, com a Associação de Jornalistas de El Salvador denunciando o deslocamento forçado de pelo menos 40 profissionais da mídia.

Cristosal, que já havia denunciado casos de corrupção e violações de direitos humanos, agora se torna um símbolo da luta contra a repressão em El Salvador. Bullock enfatizou que a perseguição à ONG é um aviso à população de que “não se tolerará vozes dissidentes”. A organização, que também defende vítimas de crimes de lesa humanidade, continua a documentar abusos e a buscar justiça, mesmo fora do país.

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