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Cuba ignora acordo com o Vaticano e mantém presos políticos em seu regime

Cuba intensifica a repressão a opositores políticos, desafiando acordos com o Vaticano e agravando a situação dos direitos humanos na ilha.

Miguel Díaz-Canel cumprimenta o arcebispo Paul Richard Gallagher, 5 de junho de 2025, em Havana. (Foto: Jorge Luis Baños/AP)
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  • As relações diplomáticas entre Cuba e o Vaticano completaram noventa anos, com a Santa Sé promovendo direitos e liberdades na ilha.
  • Em janeiro, cincocentos e cinquenta e três prisioneiros, incluindo opositores políticos, foram libertados.
  • Recentemente, a repressão aumentou, com o reencarceramento de opositores como Donaida Pérez e Félix Navarro.
  • A organização Prisoners Defenders relatou vigilância intensificada sobre os liberados, com ameaças e perseguições por parte das autoridades cubanas.
  • O diretor de estratégias do Observatório Cubano de Direitos Humanos, Yaxis Cires, criticou a falta de compromisso do governo cubano em relação aos direitos humanos.

As relações diplomáticas entre Cuba e o Vaticano completaram 90 anos, com a Santa Sé reafirmando seu compromisso em promover direitos e liberdades na ilha. Recentemente, o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para Relações com os Estados do Vaticano, visitou Havana, destacando a importância da dignidade humana. No entanto, a situação dos direitos humanos em Cuba se deteriorou, com o governo reencarcerando opositores políticos.

Entre os casos mais notáveis está o de Donaida Pérez, que foi novamente presa após a revogação de sua liberdade condicional. Ela havia sido libertada em janeiro, como parte de um acordo entre o governo cubano e a Igreja Católica, mas a repressão se intensificou. Pérez, que já cumpriu quatro anos de uma condenação de oito, afirmou que nunca se sentiu realmente livre, pois as condições impostas eram severas.

Intensificação da Repressão

Além de Pérez, outros opositores, como Félix Navarro, líder do Partido por la Democracia Pedro Luis Boitel, também foram presos novamente. Navarro, de 72 anos e com problemas de saúde, teve sua liberdade revogada por supostas violações de regras impostas após sua liberação. A vigilância e repressão sobre os excarcelados aumentaram, com relatos de ameaças e perseguições por parte das autoridades cubanas.

A organização Prisoners Defenders registrou que, desde o acordo com a Santa Sé, o governo cubano não apenas reencarcerou alguns opositores, mas também mantém uma vigilância rigorosa sobre muitos dos liberados. A pressão sobre os dissidentes inclui citações frequentes pela polícia e tentativas de coação para que não se manifestem publicamente.

Críticas e Expectativas

O diretor de estratégias do Observatório Cubano de Direitos Humanos, Yaxis Cires, criticou a falta de compromisso do governo cubano, afirmando que a situação atual demonstra a utilização dos prisioneiros políticos como “moeda de troca”. Apesar disso, a versão oficial cubana responsabiliza os Estados Unidos por supostas violações do acordo com o Vaticano, alegando que o governo americano não cumpriu suas promessas.

A visita de Gallagher e a recente repressão levantam questões sobre o futuro das relações entre Cuba e a Santa Sé. Enquanto a Igreja Católica busca promover um diálogo construtivo, a realidade dos direitos humanos na ilha continua a ser um desafio significativo. A necessidade de mudanças estruturais em Cuba é cada vez mais evidente, com apelos de líderes religiosos para que se criem condições favoráveis a reformas sociais e políticas.

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