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Juiz suspeito de corrupção admite ter recebido R$ 750 mil e revela gastos com pai de santo

Juiz Ivan Lúcio Amarante é investigado por corrupção após receber R$ 750 mil da esposa, com suspeitas de propinas e lavagem de dinheiro.

Juiz Ivan Lúcio Amarante está afastado das funções por ordem do CNJ e do STF. (Foto: Divulgação/TJMT)
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  • O juiz Ivan Lúcio Amarante, da Comarca de Vila Rica, em Mato Grosso, é investigado na Operação Sisamnes por corrupção e lavagem de dinheiro.
  • A Polícia Federal identificou que ele recebeu R$ 750 mil de sua esposa, Mara Patrícia Nunes Amarante, em 43 depósitos entre setembro de 2023 e julho de 2024.
  • As autoridades suspeitam que os valores sejam provenientes de propinas relacionadas à venda de sentenças.
  • Amarante afirma que os depósitos foram para despesas pessoais e desenvolvimento espiritual, incluindo gastos com terreiros.
  • A investigação se intensificou após a quebra do sigilo do celular do advogado Roberto Zampieri, que tinha uma relação próxima com o juiz e foi assassinado em dezembro de 2023.

O juiz Ivan Lúcio Amarante, da Comarca de Vila Rica, em Mato Grosso, é investigado na Operação Sisamnes por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Recentemente, a Polícia Federal revelou que ele recebeu R$ 750 mil de sua esposa, Mara Patrícia Nunes Amarante, em 43 depósitos entre setembro de 2023 e julho de 2024. As autoridades suspeitam que esses valores sejam provenientes de propinas relacionadas à venda de sentenças.

Amarante defende que os depósitos foram destinados a despesas pessoais e ao seu desenvolvimento espiritual, incluindo gastos com sessões em terreiros. Ele foi afastado de suas funções em outubro de 2023, decisão que foi reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal. O juiz alega que os valores são compatíveis com a atividade econômica de sua esposa, que é empresária.

Investigações em Andamento

A investigação ganhou novos desdobramentos após a quebra do sigilo do celular do advogado Roberto Zampieri, conhecido como o “lobista dos tribunais”, assassinado em dezembro de 2023. Diálogos recuperados indicam uma relação próxima entre Zampieri e Amarante, levando a Corregedoria Nacional de Justiça a considerar o juiz como “subserviente” ao lobista. O ministro Cristiano Zanin, relator do caso no STF, ordenou o bloqueio de R$ 30 milhões de Amarante e outros envolvidos.

A Corregedoria questiona a origem dos depósitos, apontando que os valores eram frequentemente elevados e não condizem com a atividade empresarial de Mara. Amarante, por sua vez, argumenta que as transferências foram feitas de sua conta pessoal e não têm relação com atividades ilícitas.

Conexões e Implicações

Além de Mara, outras ex-esposas de Amarante também estão ligadas à investigação. A Polícia Federal encontrou transferências de R$ 12,5 mil para uma ex-mulher e R$ 208 mil de uma empresa de logística associada a outra ex-esposa. As investigações sugerem que essas empresas podem ter sido utilizadas para ocultar propinas.

Amarante solicitou acesso a todas as informações digitais relacionadas ao caso, contestando a validade das provas obtidas. Ele nega qualquer envolvimento em esquemas de corrupção e afirma que as conversas com Zampieri foram mal interpretadas. O juiz se considera alvo de uma “pescaria probatória”, defendendo que não favoreceu o lobista ou recebeu vantagens indevidas.

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