- A cidade do Rio de Janeiro registrou, em 2024, um terço dos roubos concentrados em apenas dez bairros, totalizando 5.067 ocorrências entre 14.196 casos.
- O Centro lidera com 1.622 roubos, seguido pela Tijuca com 581 roubos de celular.
- Outros bairros afetados incluem Maracanã, Barra da Tijuca e Botafogo, com 455, 424 e 423 registros, respectivamente.
- A especialista em segurança pública Joana Monteiro defende intervenções focadas e a transparência dos dados de criminalidade para melhorar as políticas públicas.
- Monteiro ressalta a importância de dados abertos para o desenvolvimento de estratégias eficazes no combate à criminalidade.
A cidade do Rio de Janeiro enfrenta um grave problema de criminalidade, com dados de 2024 indicando que apenas dez bairros acumulam um terço dos roubos, totalizando 5.067 ocorrências entre os 14.196 casos registrados. A Tijuca se destaca com 581 roubos de celular, ficando atrás apenas do Centro, que lidera com 1.622 casos.
Concentração de Crimes
Além da Tijuca, outros bairros como Maracanã (455 registros), Barra da Tijuca (424) e Botafogo (423) também figuram entre os mais afetados. Essa centralização do crime não é nova. Em 2019, a especialista em segurança pública Joana Monteiro, junto ao pesquisador Spencer Chainey, já havia identificado que cerca de 5% do território do Rio concentra metade dos crimes de rua. Em 2015, apenas 3,3% das células analisadas acumulavam a metade dos casos, percentual que se manteve estável nos anos seguintes.
Intervenções Necessárias
Joana Monteiro defende que a resposta do poder público deve ser focada e específica, priorizando o policiamento preventivo nas áreas mais afetadas. A especialista ressalta que a polícia é apenas uma parte do processo e que intervenções em infraestrutura, como iluminação e mobiliário urbano, são essenciais para a redução dos crimes.
Ela também critica a falta de transparência nos dados de criminalidade, que, segundo ela, são fundamentais para a formulação de políticas públicas eficazes. Em sua gestão no Instituto de Segurança Pública (ISP), Monteiro tentou garantir a divulgação de informações georreferenciadas, mas enfrentou resistência política.
Necessidade de Dados Abertos
A especialista enfatiza que dados sobre criminalidade não são informações sensíveis e que sua divulgação é crucial para que outros entes federativos possam desenvolver estratégias eficazes. A análise científica dos dados é vista como uma ferramenta vital para entender e combater a criminalidade no Rio de Janeiro.
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