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Zelenski enfrenta críticas na Ucrânia por interferir na luta anticorrupção

Zelensky sanciona lei que compromete órgãos anticorrupção, gerando protestos massivos e preocupações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia.

Presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, no dia 3 de julho de 2025, no município dinamarquês de Aarhus. (Foto: Martin Sylvest Andersen/Getty Images)
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  • O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sancionou uma lei que compromete a independência dos órgãos anticorrupção do país.
  • A nova legislação coloca o Escritório Nacional de Combate à Corrupção (NABU) e a Promotoria Especializada Anticorrupção (SAPO) sob controle do procurador-geral.
  • Centenas de manifestantes protestaram em Kyiv, Lviv e Odesa, expressando preocupação com retrocessos democráticos e impactos nas aspirações da Ucrânia de ingressar na União Europeia.
  • A Comissão Europeia e aliados ocidentais criticaram a decisão, alertando que a diminuição das salvaguardas para o NABU pode afetar a assistência financeira da UE.
  • Organizações de direitos humanos afirmam que a nova lei e operações contra o NABU são um ataque à independência das instituições anticorrupção.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sancionou uma lei controversa que compromete a independência dos órgãos anticorrupção do país. A nova legislação, aprovada em meio a protestos em massa, coloca o Escritório Nacional de Combate à Corrupção (NABU) e a Promotoria Especializada Anticorrupção (SAPO) sob controle do procurador-geral, levantando preocupações sobre a transparência e a governança democrática.

Centenas de manifestantes se reuniram em Kyiv e em outras cidades, como Lviv e Odesa, expressando descontentamento com a medida. Os protestos, os maiores desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, refletem o temor de um retrocesso democrático e um impacto negativo nas aspirações da Ucrânia de ingressar na União Europeia. Zelensky defendeu a lei, alegando que era necessária para eliminar a influência russa nas instituições anticorrupção.

Reações Internacionais

A Comissão Europeia e aliados ocidentais expressaram preocupação com as ações do governo ucraniano. A comissária da União Europeia, Marta Kos, criticou a decisão, afirmando que a diminuição das salvaguardas para a independência do NABU representa um retrocesso significativo. A assistência financeira da UE está condicionada ao progresso em transparência e reformas judiciais, o que pode ser afetado pela nova legislação.

A situação se agrava com a recente operação dos Serviços de Segurança da Ucrânia (SSU) contra o NABU e a SAPO, que resultou em buscas em mais de 80 locais e a detenção de um alto funcionário. Críticos afirmam que essas ações visam desmantelar os avanços na luta contra a corrupção, acumulados ao longo da última década.

Desdobramentos e Críticas

Organizações de direitos humanos e ativistas, como o Centro de Ação contra a Corrupção (ANTAC), alertam que a nova lei e as operações do governo são um ataque direto à independência das instituições anticorrupção. A diretora do ANTAC, Daria Kaleniuk, afirmou que a operação contra o NABU é um sinal claro de que o governo busca desmantelar anos de trabalho na luta contra a corrupção.

A aprovação da lei pelo partido de Zelensky, Servidor do Povo, marca um ponto crítico na trajetória democrática da Ucrânia, levantando questões sobre o futuro da luta anticorrupção e suas implicações para a adesão ao bloco europeu, especialmente em um momento em que o país enfrenta desafios significativos devido à guerra com a Rússia.

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