- Um levantamento revelou que 1.210 políticos receberam R$ 773 milhões em emendas parlamentares entre 2018 e junho de 2025.
- Esses valores foram direcionados a empresas nas quais os políticos são sócios, levantando preocupações sobre conflitos de interesse.
- Apenas 18% do total de R$ 173 bilhões pagos em emendas nos últimos seis anos foi considerado na análise.
- O ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, recebeu pelo menos R$ 69 milhões por meio de sua empresa, que fornece veículos a prefeituras.
- A maioria das empresas ligadas a políticos está no setor da construção civil, com municípios menores sendo os principais responsáveis pelos pagamentos.
Um levantamento recente revelou que 1.210 políticos receberam R$ 773 milhões em emendas parlamentares entre 2018 e junho de 2025. Esses valores foram direcionados a empresas nas quais os políticos são sócios, levantando preocupações sobre conflitos de interesse e possíveis irregularidades. As empresas beneficiadas prestaram serviços a prefeituras e governos estaduais, utilizando recursos provenientes de emendas.
A análise dos dados, disponível no portal Transferegov, mostra que apenas 18% do total de R$ 173 bilhões pagos em emendas nos últimos seis anos foi considerado. Além disso, o levantamento não inclui pagamentos a empresas de parentes de políticos, o que pode indicar um cenário ainda mais preocupante. Marina Atoji, diretora da ONG Transparência Brasil, afirma que essas informações evidenciam brechas que podem levar a tráficos de influência e conflitos de interesse nas contratações.
Entre os políticos que se destacam, o ex-prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli, recebeu pelo menos R$ 69 milhões por meio de sua empresa, que fornece veículos a prefeituras. Medioli defende que sua empresa participa de licitações de acordo com a Lei de Licitações, garantindo a transparência dos processos.
O levantamento também identificou casos de deputados e senadores cujas empresas receberam emendas. O suplente de senador Breno Barbosa Chaves Pinto, por exemplo, teve suas empresas beneficiadas com R$ 23 milhões em contratos, enquanto é investigado por corrupção. Cristiano Furlan, ligado ao senador Randolfe Rodrigues, também recebeu R$ 8 milhões em emendas, embora não tenha havido assinatura do senador nos contratos.
A pesquisa aponta que mais da metade das empresas ligadas a políticos está no setor da construção civil. Municípios menores, com até 50 mil habitantes, são os principais responsáveis por 55% dos pagamentos a essas empresas, o que levanta questões sobre a fiscalização e a transparência nas licitações. Bruno Bondaravoski, criador da plataforma Central das Emendas, destaca a necessidade de melhorar os mecanismos de controle e aumentar a participação da sociedade civil na fiscalização.
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