- O Brasil anunciará sua Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) para aumentar a produção e o beneficiamento de terras-raras.
- O país possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, estimada em 21 milhões de toneladas, mas processou apenas 20 toneladas em 2024.
- A baixa produtividade é atribuída à falta de tecnologia nas etapas de separação e beneficiamento, atualmente dominadas pela China.
- O governo pretende promover um desenvolvimento sustentável da cadeia mineral, priorizando o licenciamento federal e o mapeamento geológico.
- A nova política busca evitar que o Brasil seja apenas um exportador de bens de baixo valor agregado, visando desenvolver uma cadeia produtiva completa.
O Brasil está prestes a anunciar sua Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com o objetivo de aumentar a produção e o beneficiamento de terras-raras. Este movimento ocorre em um contexto de crescente tensão geopolítica entre Estados Unidos e China, que dominam o mercado global desses minerais essenciais.
As terras-raras, compostas por 17 elementos como ítrio e neodímio, são fundamentais para tecnologias que vão desde baterias de veículos elétricos até sistemas de defesa. O Brasil, que possui a segunda maior reserva mundial, estimada em 21 milhões de toneladas, ainda enfrenta desafios significativos. Em 2024, o país processou apenas 20 toneladas, refletindo a carência de tecnologia e investimentos no setor.
Clauber Leite, coordenador do Instituto E+, destaca que a baixa produtividade está ligada à falta de domínio tecnológico nas etapas de separação e beneficiamento, atualmente controladas pela China. Para mudar essa realidade, o Brasil precisa investir em pesquisa e desenvolvimento, além de estabelecer parcerias internacionais que possibilitem a transferência de tecnologia.
Desafios e Oportunidades
A nova política do governo, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, visa promover um desenvolvimento sustentável da cadeia mineral, priorizando o licenciamento federal para projetos estratégicos e o fortalecimento do mapeamento geológico. O deputado Arnaldo Jardim ressalta a necessidade de um conhecimento geológico mais robusto para que o Brasil possa explorar seu potencial mineral de forma eficaz.
A corrida global por terras-raras é acirrada, com a China utilizando seu controle sobre as reservas como uma ferramenta geopolítica. O governo brasileiro busca não apenas aumentar a produção, mas também evitar a condição de mero exportador de bens de baixo valor agregado. Maurício Angelo, do Observatório da Mineração, enfatiza que o Brasil deve desenvolver uma cadeia produtiva completa, o que requer investimentos significativos e vontade política.
A expectativa é que a PNMCE seja um passo crucial para que o Brasil se posicione de forma soberana no mercado global de terras-raras, aproveitando suas vastas reservas e potencial tecnológico.
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