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‘Apocalipse nos Trópicos’ combate a politicização da fé nas religiões

Documentário revela a influência crescente das igrejas evangélicas na política brasileira e a transformação cultural dos fiéis.

Cena de 'Apocalipse nos Trópicos', de Petra Costa (Foto: Netflix/Divulgação)
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  • O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, superou um milhão de espectadores na Netflix e foi um dos dez filmes em língua não inglesa mais assistidos globalmente na semana de estreia.
  • A obra explora a relação entre fé e política, criticando a influência de líderes religiosos, como Silas Malafaia, nas orientações eleitorais.
  • O crescimento da população evangélica no Brasil, que passou de 15,4% em 2000 para 26,9% em 2022, é abordado, destacando a dignidade dos fiéis, especialmente mulheres negras e mães solo.
  • O documentário também menciona a nomeação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal, evidenciando a influência das lideranças religiosas no país.
  • “Apocalipse nos Trópicos” convoca as esquerdas a reconhecerem os valores centrais do segmento evangélico e a promover um diálogo mais profundo com essa população.

O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, alcançou mais de um milhão de espectadores na Netflix e se destacou entre os dez filmes em língua não inglesa mais assistidos globalmente na semana de estreia. A obra aborda a intersecção entre fé e política, criticando a influência de líderes religiosos, como Silas Malafaia, nas orientações eleitorais.

A narrativa revela a transformação cultural da população evangélica no Brasil, que cresceu de 15,4% em 2000 para 26,9% em 2022, segundo dados do IBGE. O filme não apenas expõe a captura da fé por interesses políticos, mas também destaca a dignidade dos fiéis, especialmente mulheres negras e mães solo, que buscam apoio nas comunidades religiosas.

Petra Costa, conhecida por sua indicação ao Oscar com “Democracia em Vertigem”, utiliza entrevistas e cenas de cultos para mostrar como a fé molda discursos e escolhas políticas. Em uma das passagens, uma antiga eleitora de Lula justifica sua preferência por Bolsonaro, afirmando que ele é “homem de Deus”. Essa mudança de voto ilustra a crescente influência das igrejas em contextos de vulnerabilidade social.

A Influência das Igrejas

As igrejas evangélicas, com uma estrutura que combina poder eclesiástico e empresarial, têm adotado estratégias de marketing agressivas. Isso impacta diretamente o comportamento eleitoral, com pastores orientando seus rebanhos a apoiar bancadas conservadoras. Silas Malafaia, que já apoiou Lula, tornou-se um pilar do bolsonarismo, refletindo essa mudança.

O documentário também destaca a nomeação de André Mendonça, o “ministro terrivelmente evangélico”, para o Supremo Tribunal Federal, evidenciando a influência das lideranças religiosas sobre os poderes do país. “Apocalipse nos Trópicos” distingue entre acolhimento espiritual e interesses políticos, convocando as esquerdas a reconhecer os valores centrais do segmento evangélico.

A obra de Petra Costa é um chamado para que a sociedade compreenda a complexidade da fé evangélica e suas implicações políticas, enfatizando a necessidade de um diálogo mais profundo com essa população.

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