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Promotores desmantelam gangue venezuelana que aterrorizava o Chile

Operações em Arica resultam em 34 condenações do Tren de Aragua, mas a gangue ainda representa um desafio para a segurança pública no Chile.

Diagramas com suspeitos e ligações nos escritórios de um promotor que investiga a gangue Tren de Aragua, em 9 de junho de 2025, em Arica, Chile (Foto: Esteban Felix/AP)
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  • O Tren de Aragua, gangue venezuelana, se expandiu no Chile, especialmente em Arica, devido à migração causada pela crise na Venezuela.
  • Recentes operações policiais resultaram na condenação de 34 membros da gangue, totalizando 300 anos de prisão.
  • As investigações revelaram uma estrutura contábil sofisticada e um aumento na violência, incluindo sequestros e torturas.
  • A taxa de homicídios em Arica caiu de 17 para 9,9 por 100.000 habitantes após as condenações, indicando um impacto positivo das ações policiais.
  • Apesar das prisões, a gangue ainda opera e continua a fazer ameaças, desafiando as autoridades locais.

ARICA, CHILE – O Tren de Aragua, uma gangue venezuelana, tem se expandido na América Latina, especialmente no Chile, onde a migração venezuelana aumentou devido à crise em seu país. Recentes operações policiais em Arica resultaram em pesadas condenações para 34 membros da gangue, revelando uma estrutura contábil sofisticada e um aumento alarmante na violência, incluindo sequestros e torturas.

As investigações, que duraram anos, culminaram em sentenças que somam 300 anos de prisão para líderes do Tren de Aragua. Documentos apreendidos mostram que a gangue mantinha registros detalhados de suas atividades, como compras de suprimentos para câmaras de tortura. Essas planilhas indicam uma organização com características de uma multinacional, desafiando a capacidade das autoridades locais de lidar com o crime organizado.

A gangue, que se estabeleceu em Cerro Chuño, um bairro de Arica, começou a operar na região em 2021, aproveitando a vulnerabilidade de migrantes venezuelanos. Os membros cobravam taxas de “proteção” de comerciantes locais e usavam violência para garantir o pagamento. Relatos de moradores indicam que a gangue aterrorizava a comunidade, com práticas brutais como extorsão e tortura.

A Resposta das Autoridades

A resposta do governo chileno tem sido um esforço concentrado para desmantelar a rede criminosa. O promotor Bruno Hernández e sua equipe utilizaram documentos recuperados para levar um número recorde de membros da gangue a julgamento. A taxa de homicídios em Arica caiu de 17 para 9,9 por 100.000 habitantes após as condenações, indicando um impacto positivo das operações policiais.

No entanto, especialistas alertam que a luta contra o Tren de Aragua ainda está longe de ser vencida. A gangue continua a operar, e há relatos de que membros ainda fazem ameaças de dentro da prisão. A adaptação do crime organizado é um desafio constante, e as autoridades precisam se antecipar a essas mudanças para garantir a segurança pública.

Com a segurança se tornando a principal preocupação dos eleitores chilenos, o presidente Gabriel Boric enfrenta pressão para deixar um legado positivo antes das eleições. A situação em Arica exemplifica a complexidade do combate ao crime organizado na América Latina, onde a corrupção e a violência desafiam a estabilidade das democracias.

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