- Um assassinato por honra em Nasirabad, Paquistão, chocou o país após a divulgação de um vídeo que mostra a execução de Bano Bibi e Ehsan Ullah Samalani.
- O crime ocorreu dias antes do Eid e o vídeo acumulou mais de 240 milhões de visualizações nas redes sociais.
- Bano foi morta a tiros por seu irmão, que a acusou de transgressão, seguida pela execução de Ehsan, com quem ela supostamente tinha um relacionamento.
- Dezesseis suspeitos foram detidos, incluindo um chefe tribal, mas a resposta do governo foi criticada por ser lenta.
- O Conselho de Ideologia Islâmica do Paquistão condenou os assassinatos como antiislâmicos e pediu que os envolvidos enfrentem acusações de terrorismo.
Um assassinato por honra em Nasirabad, Paquistão, chocou o país após a divulgação de um vídeo que mostra a execução de Bano Bibi e Ehsan Ullah Samalani. O crime, que ocorreu dias antes do Eid, foi amplamente compartilhado nas redes sociais, acumulando mais de 240 milhões de visualizações. No vídeo, Bano é vista recebendo um Corão de seu irmão, que a executa a tiros, seguido pela morte de Ehsan, com quem ela supostamente tinha um relacionamento.
A repercussão do caso gerou protestos em Quetta, onde ativistas e membros da sociedade civil clamaram por justiça e o fim dos sistemas judiciais paralelos. Dezesseis suspeitos foram detidos, incluindo um chefe tribal, mas a resposta do governo foi criticada por sua lentidão. O ministro principal de Baluchistão, Sarfraz Bugti, afirmou que a polícia recebeu ordens de agir assim que o vídeo se tornou viral.
A mãe de Bano, Gul Jan Bibi, declarou que os assassinatos foram motivados por “tradições baluchis centenárias” e não por ordens do chefe tribal. Ela defendeu que sua filha e Ehsan não cometeram pecado algum. O governo, por sua vez, informou que as famílias das vítimas não registraram queixa, levando o Estado a intervir no caso.
O Conselho de Ideologia Islâmica do Paquistão condenou os assassinatos como “antiislâmicos” e pediu que os envolvidos enfrentem acusações de terrorismo. Apesar da proibição dos assassinatos por honra em 2016, a prática continua a ser um problema recorrente no país, com a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão registrando 405 casos em 2024, a maioria envolvendo mulheres.
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