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A fotógrafa Judith Prat destaca a herança da superioridade branca no passado escravista

Judith Prat revela em sua nova exposição como o legado da escravidão ainda afeta a sociedade espanhola e provoca debate sobre reparação.

A fotógrafa Judith Prat, retratada nesta quarta-feira, 30 de julho, em Zaragoza. (Foto: ROCÍO BADIOLA)
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  • Judith Prat, fotógrafa, apresenta a exposição “Aquella niebla, este silencio” em Madrid e Zaragoza.
  • A mostra aborda o legado da escravidão na Espanha, que aboliu a prática em mil oitocentos e oitenta e seis.
  • Prat explora o comércio triangular que envolvia a captura de africanos e seu transporte para colônias espanholas.
  • A artista destaca a ocultação do passado escravista e suas consequências na sociedade atual, incluindo o racismo.
  • A pesquisa incluiu visitas a arquivos em Cuba e na Espanha, revelando a brutalidade da escravidão e a necessidade de reparação.

Judith Prat, fotógrafa de 51 anos, apresenta sua nova exposição, “Aquella niebla, este silencio”, que faz parte da programação de PHotoEspaña. A mostra, que será exibida em Madrid e depois em Zaragoza, aborda o legado do escravismo na Espanha, o último país europeu a abolir a escravidão, em 1886.

A exposição retrata as consequências desse passado, que ainda reverberam na sociedade contemporânea. Prat realiza um “viagem histórico, geográfico e visual”, explorando o comércio triangular que envolvia a captura de africanos em países como Sierra Leona e Ghana, passando pelos portos de Cádiz e Barcelona, até chegar a Cuba, onde muitos foram forçados a trabalhar como escravos.

A fotógrafa destaca que o silêncio em torno do escravismo na Espanha não é um esquecimento, mas uma ocultação deliberada. Cerca de 15 milhões de pessoas foram escravizadas, com 2,5 milhões levadas para colônias espanholas. Prat argumenta que a dificuldade em encarar esse passado se deve à sua natureza dolorosa e à falta de reconhecimento e reparação.

Prat enfatiza a importância de enfrentar a história para entender a identidade coletiva da sociedade. Ela relaciona o racismo atual a esse legado, afirmando que a ideia de superioridade branca é uma herança do passado escravista. A artista utiliza imagens contemporâneas para criar contranarrativas que evocam a memória histórica, buscando provocar uma reflexão no espectador.

A pesquisa para a exposição envolveu visitas a arquivos em Cuba e na Espanha, onde Prat encontrou documentos que comprovam a brutalidade da escravidão. Ela relata que a visita a locais como os castelos de Elmina e Cape Coast, em Ghana, e antigos engenhos em Cuba, foi impactante, revelando a memória do sofrimento vivido.

Prat conclui que a falta de reconhecimento e reparação mantém uma ferida aberta na sociedade. Para ela, é fundamental que a justiça seja reparativa, permitindo um diálogo honesto sobre o passado e suas consequências.

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