- Djamila Ribeiro criticou o embranquecimento das religiões afro-brasileiras em debate na Casa Folha, durante a Festa Literária Internacional de Paraty.
- Ela afirmou que a demonização dessas práticas religiosas afasta os negros da sua prática.
- Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que 42,9% dos adeptos de candomblé e umbanda se identificam como brancos, enquanto 23,2% se consideram pretos.
- O número total de praticantes dessas religiões cresceu para 1,8 milhão, representando 1% da população brasileira.
- A intolerância religiosa, especialmente por parte de grupos evangélicos, foi destacada como um problema crescente, com relatos de ataques a terreiros.
Em um debate recente sobre religiões afro-brasileiras, a filósofa Djamila Ribeiro destacou o embranquecimento dessas crenças, afirmando que isso contribui para a demonização que afasta os negros da prática. O evento ocorreu na Casa Folha durante a Festa Literária Internacional de Paraty, que se estendeu até 3 de agosto. Ribeiro, praticante do candomblé, enfatizou que a presença de pessoas brancas nas religiões não é um problema, mas a higienização das práticas religiosas é prejudicial.
Dados do Censo Demográfico de 2022 revelam que 42,9% dos adeptos de candomblé e umbanda se identificam como brancos, enquanto 23,2% se consideram pretos. Apesar de uma leve queda na proporção de brancos entre os praticantes, o número absoluto de adeptos brancos cresceu de 245 mil para 794 mil. O total de praticantes dessas religiões triplicou entre 2010 e 2022, atingindo 1,8 milhão, o que representa 1% da população brasileira.
Intolerância Religiosa
A intolerância religiosa, especialmente por parte de grupos evangélicos, também foi abordada no debate. Anna Virginia Balloussier, mediadora do evento, apontou que os evangélicos, que representam uma parte significativa da população, estão por trás de muitos ataques a terreiros de candomblé e umbanda. Ela destacou que, paradoxalmente, a religião mais negra do Brasil é alvo de ofensivas por parte de uma religião que, em sua maioria, é branca.
Marcelo Leite, colunista e autor de “Ciência Encantada de Jurema”, acrescentou que adeptos da religião afro-indígena jurema sagrada enfrentam discriminação semelhante. Ele relatou casos em que evangélicos perturbam cultos com carros de som, demonstrando a crescente intolerância religiosa no país.
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