- O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um decreto que impõe tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
- Trump justifica a medida alegando violações de direitos e uma “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Especialistas questionam a legalidade da ação, afirmando que a Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência Nacional (Ieepa) não permite tarifas por motivos políticos.
- Cinco pequenas empresas americanas e doze estados processaram o governo, contestando a aplicação da Ieepa.
- A Justiça americana suspendeu as tarifas, mas o governo recorreu, e uma audiência em tribunal recursal federal já foi realizada.
Recentemente, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um decreto que impõe tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando violações de direitos e uma “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa medida gerou controvérsias e levantou questões sobre sua legalidade, segundo especialistas consultados pelo GLOBO.
Os advogados afirmam que o uso de tarifas comerciais por motivos políticos pode comprometer o estado democrático de direito. A Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência Nacional (Ieepa), citada por Trump como base legal, não prevê tais ações. O jurista Ilya Somin, da George Mason University, destaca que a acusação contra Bolsonaro não representa uma ameaça extraordinária à segurança nacional dos EUA.
Além disso, cinco pequenas empresas americanas e doze estados entraram com ações judiciais contestando a aplicação da Ieepa para justificar tarifas. Em uma decisão recente, a Justiça americana suspendeu as tarifas anunciadas em abril, mas o governo dos EUA recorreu. Uma audiência em tribunal recursal federal foi realizada, mas ainda não há prazo para a decisão.
Implicações Legais
Daniel Cannistra, do escritório Crowell & Moring, também considera as tarifas ilegais, reforçando que dois tribunais já se manifestaram nesse sentido. Somin argumenta que a interpretação da Ieepa por Trump representa uma delegação inconstitucional de poder ao Executivo, permitindo que tarifas sejam impostas por razões infundadas.
O decreto menciona ainda a conduta do Brasil em relação a grandes plataformas de tecnologia como uma motivação para as tarifas. No entanto, Somin ressalta que a questão da censura nas redes sociais não é uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, e que não houve investigações adequadas para embasar essa decisão.
A situação continua a se desenrolar, com a possibilidade de recursos adicionais à Suprema Corte, o que pode prolongar o processo por meses. A aplicação de tarifas comerciais por razões políticas levanta preocupações sobre a integridade do sistema legal e comercial dos Estados Unidos.
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