- Durante a Flip 2025, a mesa “Pertencer, transformar” discutiu opressão e pertencimento.
- As autoras Verenilde Pereira e Astrid Roemer participaram do evento em Paraty.
- Verenilde abordou a opressão de mulheres e indígenas em sua obra “Um rio sem fim”, destacando a importância da literatura para resgatar histórias silenciadas.
- Astrid questionou o patriarcado e a linguagem em “Sobre a loucura de uma mulher”, refletindo sobre a invisibilidade das mulheres na narrativa histórica.
- A mesa foi mediada pela jornalista Adriana Ferreira da Silva, promovendo um diálogo sobre identidade e resistência.
Durante a Flip 2025, a mesa “Pertencer, transformar” trouxe à tona discussões sobre opressão e pertencimento, com a participação das autoras Verenilde Pereira e Astrid Roemer. O evento, realizado em Paraty, destacou a importância da literatura como ferramenta de resistência e transformação social.
Verenilde, autora de “Um rio sem fim”, publicado originalmente em 1998, abordou a opressão enfrentada por mulheres e indígenas. Ela enfatizou que a literatura pode resgatar histórias que a sociedade tenta esconder. “A literatura pode, quando quer, fazer isso: resgate”, afirmou, referindo-se à necessidade de dar voz àqueles que foram silenciados. Sua obra narra a trajetória de duas meninas indígenas, Rosa Maria e Maria Assunção, que são arrancadas de suas raízes e forçadas a trabalhar para famílias ricas em Manaus.
Reflexões sobre Feminismo e Linguagem
Astrid Roemer, por sua vez, discutiu sua obra “Sobre a loucura de uma mulher”, que questiona o patriarcado e a linguagem. A autora, que viveu na Holanda e agora reside no Suriname, destacou a complexidade de amar em um mundo dominado por homens. “Como ela pode amar um homem e, ao mesmo tempo, viver num mundo onde eles determinam tudo?”, questionou. Roemer também criticou a conotação negativa associada à palavra “negro” na língua holandesa, ressaltando a necessidade de reapropriação da linguagem.
Ambas as autoras trouxeram à tona questões urgentes sobre a identidade e a luta contra a opressão. Verenilde fez referência a um caso recente de violência contra uma mulher indígena, sublinhando que a literatura deve servir como um espaço de resistência e denúncia. Astrid complementou, refletindo sobre a invisibilidade das mulheres na narrativa histórica e cultural.
A mesa, mediada pela jornalista Adriana Ferreira da Silva, proporcionou um espaço para que essas vozes diversas se unissem em um diálogo profundo sobre pertencimento, linguagem e a luta contra a opressão.
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