- A Casa Cornide, em A Coruña, foi aberta ao público pelos herdeiros de Francisco Franco em agosto de 2025, após mais de seis décadas de privação de acesso.
- A abertura ocorreu devido a uma multa de R$ 3 mil e uma decisão do Tribunal Supremo sobre a devolução de estatuas.
- O imóvel, adquirido por Carmen Polo em 1962, apresenta sinais de deterioração e está praticamente vazio, levantando suspeitas de expolios.
- A visitação é limitada a cinco pessoas por hora e já possui agendamentos até janeiro de 2026.
- Grupos de memória histórica consideram a abertura uma vitória, enquanto a prefeitura ainda não tomou medidas para reverter a privatização do local.
Após mais de seis décadas, a Casa Cornide, em A Coruña, foi aberta ao público pelos herdeiros de Francisco Franco, em cumprimento à legislação que a declara como Bem de Interês Cultural (BIC). A abertura ocorreu em um primeiro dia de agosto, após tentativas frustradas da família em evitar visitas, alegando que o local era uma “vivienda habitual”.
O imóvel, adquirido por Carmen Polo, esposa de Franco, em 1962, apresenta sinais de deterioração e está praticamente vazio, levantando suspeitas de expolios. A casa, que pertenceu ao município antes da privatização, foi alvo de uma manobra que envolveu figuras proeminentes da época, como ex-prefeitos e empresários ligados ao regime.
Situação Atual
Os Franco foram obrigados a abrir a mansão após uma multa de 3.000 euros e uma decisão do Tribunal Supremo que determinou a devolução de estatuas do Pórtico de la Gloria. A visitação, limitada a cinco pessoas por hora, já está com agendamentos até janeiro. Entre os primeiros visitantes estavam a prefeita de A Coruña, Inés Rey, e representantes de grupos de memória histórica.
Durante a visita, foi constatado que a justificativa da família para não abrir a casa não se sustenta, já que móveis e objetos de valor estão ausentes. Elementos como um bajorrelieve e uma estátua do apóstolo Santiago permanecem, mas há indícios de que possam ter sido retirados de outros locais.
Pressão da Comunidade
A abertura da Casa Cornide é vista como uma vitória por grupos que lutam pela recuperação do patrimônio cultural em A Coruña. A associação Defesa do Comum destaca que a demora nas ações legais permitiu que a família Franco esvaziasse o local de itens valiosos. A prefeitura, por sua vez, ainda não apresentou a ação judicial prometida para reverter a privatização do imóvel.
A história da Casa Cornide, marcada por um processo de aquisição controverso, agora faz parte das visitas turísticas, onde a narrativa sobre sua compra por apenas 25.000 pesetas é frequentemente corrigida por visitantes, que ressaltam a natureza irregular da transação.
Entre na conversa da comunidade