- Moradores das comunidades de La Huaca, no norte do Peru, enfrentam crise hídrica e ambiental desde 2007 devido à atuação de empresas de cana-de-açúcar.
- Em dezembro de 2024, tentativas de derrubar um dique da Agroaurora SAC resultaram em confrontos com a polícia.
- A Autoridade Nacional da Água (ANA) ordenou a remoção do dique, mas a empresa apelou da decisão, prolongando o conflito.
- O dique bloqueia o fluxo do rio Chira, essencial para a agricultura local, causando escassez de água para os agricultores.
- A Agroaurora defende que o dique foi construído legalmente e atribui a escassez a fatores externos, enquanto a comunidade continua a protestar contra a poluição e a degradação ambiental.
Os moradores das comunidades de La Huaca e arredores, no norte do Peru, enfrentam uma grave crise hídrica e ambiental desde 2007, quando empresas de cana-de-açúcar, como a Agroaurora SAC, começaram a operar na região. Em dezembro de 2024, a situação se agravou quando os habitantes tentaram derrubar um dique da empresa, resultando em confrontos com a polícia.
A escassez de água é um problema crítico, exacerbado por diques que bloqueiam o fluxo do rio Chira, essencial para a agricultura local. Juan Carlos Barrientos, membro do Comitê de Defesa da Margem Esquerda do Rio Chira, relatou que a água está sendo retida a cerca de 11 quilômetros de La Huaca, prejudicando os agricultores da região. Apesar das denúncias às autoridades, o dique permaneceu intacto, levando os moradores a agir.
A Agroaurora, parte do Grupo Gloria, defende que o dique foi construído para elevar o nível da água e que possui todas as licenças necessárias. A empresa alega que a escassez hídrica é causada por fatores externos, como a extração não autorizada de água e a saturação do reservatório de Poechos. No entanto, a comunidade vê o dique como um símbolo de sua frustração e resistência.
Os conflitos não são novos. Desde 2007, a população de La Huaca tem protestado contra a poluição do ar causada pela queima de cana-de-açúcar. Em um incidente em 2021, a fumaça e as cinzas resultaram em 65 pessoas atendidas em um centro de saúde. A situação culminou em uma série de protestos, incluindo um ataque à empresa Caña Brava, que também opera na região.
A Autoridade Nacional da Água (ANA) ordenou a remoção do dique em 2025, mas a Agroaurora apelou da decisão, prolongando o conflito. A comunidade continua a lutar por seus direitos, enfrentando não apenas a escassez de água, mas também a repressão e a degradação ambiental provocadas pela presença das empresas de cana-de-açúcar.
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