- A diretora da Human Rights Watch (HRW) para as Américas, Juanita Goebertus, acusou o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, de interferir na independência judicial do Brasil e da Colômbia.
- Goebertus criticou as sanções impostas a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, e a condenação do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.
- As sanções a Moraes foram aplicadas com base na Lei Magnitsky, que visa punir corrupção e violações de direitos humanos. Ele lidera um julgamento contra Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado.
- Na Colômbia, a condenação de Uribe a doze anos de prisão gerou reações nos EUA, incluindo críticas do secretário de Estado, Marco Rubio, que ameaçam a independência do judiciário colombiano.
- Goebertus alertou que a administração Trump tem enfraquecido a sociedade civil e os direitos humanos na região, o que pode favorecer o crescimento do autoritarismo.
O governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, está sendo acusado de interferir na independência judicial do Brasil e da Colômbia. A diretora da Human Rights Watch (HRW) para as Américas, Juanita Goebertus, fez essas afirmações em entrevista à Bloomberg Línea, destacando as sanções impostas a Alexandre de Moraes, ministro do STF brasileiro, e a condenação do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.
Goebertus criticou as sanções contra Moraes, alegando que ele é um defensor da democracia no Brasil e que as medidas se assemelham a ações anteriores contra o Tribunal Penal Internacional. As sanções foram aplicadas sob a Lei Magnitsky, que visa punir indivíduos por corrupção e violações de direitos humanos. Moraes está atualmente liderando um julgamento contra Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe de Estado após as eleições de Luiz Inácio Lula da Silva.
Contexto Colombiano
Na Colômbia, a condenação de Uribe a 12 anos de prisão por suborno e fraude processual gerou reações nos EUA, incluindo comentários do secretário de Estado, Marco Rubio, que criticou a decisão judicial. Goebertus afirmou que essa interferência é uma ameaça à independência do judiciário colombiano, que possui mecanismos para garantir a imparcialidade na administração da justiça.
A diretora da HRW também expressou preocupação com o impacto da eleição de Trump sobre líderes autoritários na América Latina, como Nayib Bukele em El Salvador e Daniel Noboa no Equador. Segundo Goebertus, a falta de uma estratégia clara dos EUA em relação à Venezuela e a defesa dos direitos humanos na região têm contribuído para o crescimento do autoritarismo.
Implicações para os Direitos Humanos
Goebertus destacou que a administração Trump tem enfraquecido a sociedade civil e os direitos humanos, cortando financiamento e atacando organizações. Ela enfatizou que, em momentos de autoritarismo, uma sociedade civil forte e um jornalismo investigativo são cruciais para a resistência e a redemocratização. A HRW continua a monitorar a situação, alertando sobre os riscos à democracia na América Latina.
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