- A gestão do controle do javali, espécie invasora no Brasil, enfrenta críticas de caçadores e especialistas.
- A revisão da política de manejo está prevista para este ano e destaca a centralização das ações no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
- O presidente da Associação Nacional de Caça e Conservação, Daniel Terra, sugere que a responsabilidade pelo controle do javali deve ser transferida aos estados.
- O Ibama admite a falta de dados sobre a população de javalis e reconhece falhas nas informações fornecidas por caçadores.
- A proposta de aumentar o uso de armadilhas, que atualmente representam apenas 2% dos casos, gera críticas, pois caçadores são responsáveis por 98% do controle da espécie.
A gestão do controle do javali, espécie invasora no Brasil, enfrenta críticas de caçadores e especialistas. A revisão da política de manejo, prevista para este ano, destaca a centralização das ações no Ibama e a proposta de priorizar armadilhas em vez de armas de fogo.
Daniel Terra, presidente da Associação Nacional de Caça e Conservação, afirma que o Ibama se tornou um obstáculo para o controle do javali (Sus scrofa), sugerindo que a responsabilidade deveria ser transferida aos estados, que teriam mais capacidade de agir conforme as realidades locais. Terra baseia suas críticas em dados obtidos pelo deputado federal Daniel Agrobom, que questionou a eficácia das ações de manejo.
O Ibama reconhece que não possui dados suficientes sobre a população de javalis e que a alegada contribuição da caça para a dispersão da espécie carece de respaldo técnico. O órgão ambiental admite falhas nos dados autodeclarados por caçadores, que indicam quase 1,5 milhão de javalis abatidos entre 2019 e 2023. Terra estima que, somando nascimentos evitados, o número ultrapassa 8 milhões.
Além disso, as críticas se intensificam com a proposta de aumentar o uso de armadilhas, que representam apenas 2% dos casos atuais. Terra ressalta que a falta de incentivos financeiros para caçadores, que são responsáveis por 98% do controle, compromete a eficácia das ações.
O Ibama, por sua vez, afirma que realiza ações contínuas para proteger a biodiversidade e que a carne dos javalis abatidos não pode ser comercializada. Apesar das críticas, algumas unidades de conservação já adotam medidas de controle, como armadilhas e abates assistidos, em resposta à presença da espécie.
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