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A ONU revela que apenas 1,5% das terras de Gaza são aptas para cultivo de alimentos

Gaza enfrenta uma devastadora crise de fome, com 86,1% das terras agrícolas danificadas desde outubro de 2023 e acesso limitado a alimentos essenciais

Barracas que abrigam refugiados palestinos na Cidade de Gaza (Foto: Bashar TALEB / AFP)
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  • A Faixa de Gaza enfrenta uma grave crise humanitária, com apenas 1,5% das terras férteis aptas para cultivo.
  • Desde outubro de 2023, 12.962 hectares foram danificados, representando 86,1% do total.
  • A devastação é mais intensa no norte, enquanto no sul, a falta de espaço para cultivo é crítica.
  • A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) alerta que Gaza está à beira de uma fome generalizada, com pessoas morrendo de fome devido à falta de acesso a alimentos.
  • A ONU estima que a maioria dos dois milhões de habitantes de Gaza corre risco de desnutrição, com registros de 147 mortes por inanição, incluindo 88 crianças.

A Faixa de Gaza enfrenta uma grave crise humanitária, com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) revelando que apenas 1,5% das terras férteis estão aptas para o cultivo. Desde o início da operação militar israelense em outubro de 2023, 12.962 hectares de terra foram danificados, representando 86,1% do total.

A devastação é mais intensa no norte de Gaza, onde as ofensivas aéreas e terrestres destruíram completamente as áreas cultiváveis. No sul, em Rafah, a situação é semelhante, com a falta de espaço para o cultivo. Em Khan Younis e na Cidade de Gaza, algumas terras permanecem intactas, mas estão inacessíveis devido à presença das forças israelenses. Deir al-Balah, no centro, concentra as áreas menos danificadas, mas ainda assim, menos de 30% do que era disponível antes do conflito.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, destacou que Gaza está à beira de uma fome generalizada. Ele afirmou que as pessoas estão morrendo de fome não pela falta de alimentos, mas pela impossibilidade de acesso a eles. A agricultura, que antes representava 11% do PIB de Gaza, foi severamente afetada, com plantações e estufas destruídas. A situação é agravada pela presença de explosivos não detonados em áreas cultiváveis.

A ONU estima que a maioria dos dois milhões de habitantes de Gaza corre risco de desnutrição. Até a última semana, foram registradas 147 mortes por inanição, incluindo 88 crianças, e 28 mil casos de desnutrição severa em menores. A falta de um cessar-fogo e a incerteza sobre o futuro do território tornam a situação ainda mais crítica.

Abir Safi, uma residente da Cidade de Gaza, expressou sua angústia: “Perdi muito peso e perdi toda a minha saúde”. Ela relatou a dificuldade em alimentar seus filhos e a falta de ajuda humanitária, que antes era mais acessível. A situação em Gaza continua a se deteriorar, com a necessidade urgente de acesso humanitário e apoio para restaurar a produção local de alimentos.

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