- A guerra foi historicamente vista como um meio legítimo de política externa, mas sua legalidade foi questionada após a Primeira Guerra Mundial e a criação da Organização das Nações Unidas (ONU).
- Em 2024, os orçamentos militares globais atingem níveis recordes, representando cinco por cento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
- A invasão da Ucrânia fortaleceu a Otan, resultando na adesão da Finlândia e da Suécia, desafiando a ideia de que a guerra é uma extensão da política.
- A guerra em Gaza prejudica a imagem de Israel, com a solidariedade internacional se dissipando após os ataques do Hamas em outubro de 2023.
- A interpretação flexível do direito à autodefesa, evidenciada pelos vetos americanos a resoluções de cessar-fogo, levanta questões sobre a eficácia da guerra como ferramenta política.
A guerra como extensão da política: uma análise contemporânea
Historicamente, a guerra foi considerada um meio legítimo de política externa. No entanto, a legalidade do uso da força foi questionada após a Primeira Guerra Mundial, especialmente com a criação da ONU. Em 2024, os orçamentos militares globais atingem níveis recordes, enquanto a guerra em Gaza prejudica a imagem de Israel, refletindo uma nova dinâmica no cenário internacional.
O general prussiano Carl von Clausewitz, conhecido por afirmar que a guerra é a continuação da política por outros meios, levanta questionamentos sobre a validade dessa ideia nos dias atuais. Desde a assinatura do Pacto Briand-Kellogg em 1928, que buscou tornar a guerra ilegal, muitos conflitos, como os de Mussolini e Hitler, demonstraram que essa proibição não foi suficiente para evitar tragédias. A ONU, em 1945, estabeleceu que o uso da força só seria aceitável em autodefesa ou com autorização do Conselho de Segurança.
A realidade atual
O ano de 2024 se destaca não apenas pelas temperaturas extremas, mas também pelo aumento significativo nos orçamentos militares, que agora representam 5% do PIB dos países da Otan. A invasão da Ucrânia, em vez de enfraquecer a aliança, resultou na adesão da Finlândia e da Suécia, desafiando a noção de que a guerra é uma extensão da política.
A guerra em Gaza, por sua vez, está causando danos sem precedentes à imagem de Israel. A solidariedade internacional, que se manifestou após os ataques do Hamas em outubro de 2023, está se dissipando. Conselhos de líderes como Joe Biden, que pediram cautela para evitar erros do passado, não foram seguidos, e os vetos americanos a resoluções de cessar-fogo em Gaza refletem uma interpretação flexível do direito à autodefesa.
Reflexões sobre a guerra
As ações unilaterais de algumas nações, como os bombardeios no Irã, revelam uma adesão seletiva à Carta da ONU. A insistência em estratégias bélicas, que frequentemente resultam em consequências adversas, levanta questões sobre a eficácia da guerra como ferramenta política. O filósofo Umberto Eco destacou que a guerra não apenas causa desperdício de recursos, mas também agride o meio ambiente.
A crença de que a guerra ainda é uma continuação da política ignora os riscos associados aos arsenais nucleares e o fracasso de tentativas de impor estabilidade pela força. O sofrimento de civis e os danos ao planeta deveriam ser motivos para uma reflexão profunda sobre o papel da guerra na sociedade contemporânea.
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