- O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, dirigido por Petra Costa, analisa a relação entre teologia apocalíptica e política no Brasil.
- O filme destaca a figura do pastor Silas Malafaia e os eventos de 8 de janeiro como um “Armagedom democrático”.
- A cineasta revisita momentos críticos, como a pandemia de Covid-19, e investiga como a teologia apocalíptica justifica ações políticas.
- O documentário gerou polêmica, com críticas de Malafaia à sua representação e defesa de Costa sobre a intenção do filme.
- Com as eleições se aproximando, o papel do eleitorado evangélico é considerado crucial para a convivência democrática.
O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, dirigido por Petra Costa, explora a intersecção entre teologia apocalíptica e política no Brasil. Lançado na Netflix, o filme destaca a figura do pastor Silas Malafaia e os eventos de 8 de janeiro como um “Armagedom democrático”. A cineasta, conhecida por “Democracia em Vertigem”, analisa a ascensão de Jair Bolsonaro, que recebeu apoio significativo do eleitorado evangélico.
Costa revisita momentos críticos, como a pandemia de Covid-19, e investiga como a teologia apocalíptica tem sido utilizada para justificar ações políticas. Em entrevistas, a diretora menciona que a palavra “apocalipse” estava presente em conversas durante a pandemia, refletindo um clima de crise. O pastor Malafaia é apresentado como um dos principais interlocutores entre Bolsonaro e o eleitorado evangélico, embora sua influência seja contestada por outros líderes religiosos.
Críticas e Repercussões
O documentário gerou polêmica, especialmente entre setores evangélicos. Malafaia criticou sua representação e deixou uma exibição do filme em protesto. A cineasta, por sua vez, defende sua escolha, afirmando que o filme não tem a intenção de ser uma tese, mas sim um retrato de um microcosmos que reflete um macrocosmos político. Ela destaca que a teologia apocalíptica ganha força em tempos de crise, e que essa visão pode ser prejudicial à convivência democrática.
Além disso, Costa investiga a origem dessa teologia, remontando ao pastor John Nelson Darby, que influenciou a interpretação literal do Apocalipse. Essa abordagem, segundo a cineasta, tem raízes em movimentos supremacistas brancos nos Estados Unidos, que encontraram eco no Brasil, onde a população evangélica é majoritariamente negra.
O Futuro da Política Evangélica
Com as eleições se aproximando, o papel do eleitorado evangélico, que representa mais de um quarto da população brasileira, é crucial. Costa acredita que é necessário evitar um novo apocalipse democrático, promovendo um diálogo que valorize a convivência entre diferentes visões. A cineasta conclui que o pensamento apocalíptico, que prega a aniquilação do inimigo, é um obstáculo à democracia e à mensagem cristã de amor ao próximo.
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