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Pentágono considera aumentar presença militar para controlar protestos nos EUA

Governo Trump planeja mobilizar 600 soldados da Guarda Nacional para conter protestos, levantando preocupações sobre o uso militar em situações civis

O presidente Donald Trump discursa durante celebração do 250º aniversário do Exército norte-americano no National Mall, em Washington (Foto: Doug Mills - 14.jun.25/Reuters)
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  • O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, está considerando a criação de uma “Força de Resposta Rápida a Distúrbios Civis Domésticos”.
  • A proposta envolve a mobilização de seiscentos soldados da Guarda Nacional para lidar com protestos em várias cidades.
  • Os soldados seriam organizados em dois grupos de trezentos, localizados em bases no Alabama e no Arizona, com atuação nas regiões a leste e oeste do rio Mississippi.
  • O custo estimado para a implementação pode chegar a centenas de milhões de dólares, dependendo do transporte utilizado.
  • A proposta levanta preocupações sobre a normalização do uso militar em situações civis, especialmente após o uso das Forças Armadas em protestos relacionados ao assassinato de George Floyd.

O governo de Donald Trump está considerando a criação de uma “Força de Resposta Rápida a Distúrbios Civis Domésticos” nos Estados Unidos. A proposta, que envolve 600 soldados da Guarda Nacional, visa enfrentar protestos em diversas cidades. Documentos internos do Pentágono, analisados pelo Washington Post, revelam que a força estaria sempre em prontidão, podendo ser mobilizada em menos de uma hora.

Os soldados seriam divididos em dois grupos de 300, localizados em bases no Alabama e no Arizona, com jurisdição sobre as regiões a leste e oeste do rio Mississippi. O custo estimado para a implementação dessa força pode alcançar centenas de milhões de dólares, especialmente se aeronaves militares forem necessárias para transporte. Alternativamente, o uso de companhias aéreas comerciais poderia reduzir os gastos.

A proposta, que não havia sido divulgada anteriormente, reflete a disposição de Trump em empregar militares em situações civis, uma prática controversa que já foi utilizada em protestos após o assassinato de George Floyd. A legislação vigente permite ao presidente contornar limitações no uso das Forças Armadas dentro do país, o que levanta preocupações sobre a normalização do uso militar em operações de aplicação da lei.

Implicações e Críticas

Oficiais da Guarda Nacional elaboraram os documentos entre julho e agosto, e a implementação do programa poderia ocorrer no ano fiscal de 2027. No entanto, não está claro se a proposta foi discutida com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. O porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, afirmou que o Departamento de Defesa revisa regularmente suas estratégias, mas não comentará sobre documentos vazados.

A proposta também levanta questões jurídicas. Especialistas alertam que a mobilização de tropas da Guarda Nacional de um estado para outro sem autorização pode ser problemática. Joseph Nunn, advogado do Brennan Center for Justice, destacou que não se deve normalizar a participação das Forças Armadas na aplicação da lei, enfatizando que isso pode reduzir os limites para o envio de tropas em situações civis.

Contexto Histórico

Historicamente, Trump utilizou as Forças Armadas para fins domésticos de maneira incomum. Recentemente, autorizou a mobilização de 800 soldados da Guarda Nacional em Washington, D.C., para reforçar a segurança na capital. Essa ação foi criticada pelo prefeito da cidade, que a considerou “perturbadora e sem precedentes”. Além disso, o governo enviou milhares de soldados para a fronteira sul, em uma demonstração de força contra a migração ilegal.

A proposta de uma força de resposta rápida para distúrbios civis pode representar uma nova fase na abordagem do governo Trump em relação à segurança interna, mas também suscita debates sobre os limites do uso militar em contextos civis.

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