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Prisão política agrava situação dos indígenas em Nicaragua com etnocídio e simbologia

Repressão em Nicaragua agrava a situação de indígenas, com denúncias de tortura e etnocídio nas prisões do regime de Ortega e Murillo

Um grupo de indígenas miskitos, na Nicarágua. (Foto: AP)
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  • Leonarda visitou seu filho, um indígena mayangna, na prisão La Modelo, em Managua, trazendo ervas medicinais.
  • O jovem foi preso em agosto de 2023 por defender a terra de sua comunidade e enfrenta torturas e condições desumanas.
  • Durante a detenção, ele sofreu afogamento simulado e agressões por policiais do regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo.
  • Doze indígenas estão encarcerados por motivos políticos, em um contexto que organizações de direitos humanos chamam de etnocídio.
  • As prisões apresentam falta de alimentos, água e assistência médica, além de discriminação racial e proibição do uso de línguas indígenas.

Repressão e Tortura em Prisão de Nicaragua

Em um cenário de crescente repressão política, Leonarda visitou seu filho, um indígena mayangna, na prisão La Modelo, em Managua, trazendo ervas medicinais para aliviar suas dores. O jovem, preso por defender a terra em sua comunidade, enfrenta condições desumanas e torturas.

O filho de Leonarda foi detido em agosto de 2023, em uma operação violenta que o levou a ser amarrado e agredido por policiais do regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo. Durante a captura, ele foi submetido a um afogamento simulado em um rio sagrado, uma prática de tortura que deixou marcas profundas. “Isso acontece por defender a terra,” afirmou um oficial mayangna que participou da ação.

Atualmente, doze indígenas estão encarcerados por motivos políticos, em um contexto que organizações de direitos humanos qualificam como etnocídio. Um relatório da Unidade de Defesa Jurídica (UDJ) e do Centro de Assistência Legal a Povos Indígenas (CALPI) denuncia a situação como parte de um extermínio simbólico das culturas indígenas.

Condições Desumanas

As condições nas prisões são alarmantes. Os detidos enfrentam falta de alimentos, água e assistência médica, além de serem vítimas de torturas racistas. O relatório destaca que muitos presos indígenas não têm acesso a intérpretes durante os julgamentos, violando seu direito a uma defesa justa.

Além disso, a recente aprovação de uma lei que permite a exploração de recursos em áreas protegidas agrava a situação. A colonização e a exploração de terras indígenas têm resultado em violência crescente, com mais de 75 indígenas assassinados nos últimos anos. A resistência dos mayangnas e miskitos, que lutam para proteger suas terras, tem um custo alto.

Impacto Familiar e Cultural

A prisão política não afeta apenas os detidos, mas também suas famílias. Leonarda, ao visitar seu filho, enfrenta uma jornada de até 50 horas para vê-lo por menos de uma hora, o que gera um impacto econômico significativo. As famílias gastam, em média, 170 dólares americanos por visita, aprofundando sua vulnerabilidade.

O relatório da UDJ e CALPI ressalta que a humilhação cultural e o racismo estrutural são evidentes nas práticas do regime. A proibição do uso das línguas indígenas nas prisões e a falta de acesso a alimentos e remédios tradicionais são exemplos de como a repressão se manifesta de forma diferenciada contra os povos originários.

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