- Mais de quarenta pessoas foram detidas em Istambul em uma operação contra corrupção, incluindo o prefeito do distrito de Beyoglu.
- A oposição considera a ação uma tentativa do governo de Recep Tayyip Erdogan de enfraquecer o Partido Republicano do Povo (CHP).
- Desde março, cerca de quinhentos e cinquenta cargos municipais e empresários foram presos, com mais de duzentos ainda detidos.
- A operação investiga uma suposta “organização criminosa” na prefeitura de Istambul, relacionada a sobornos em contratos públicos.
- Com a prisão do prefeito de Beyoglu, quinze prefeitos do CHP estão encarcerados, incluindo o ex-prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu.
Mais de 40 pessoas foram detidas nesta sexta-feira em Istambul, incluindo o prefeito do distrito de Beyoglu, em uma operação contra corrupção que a oposição turca considera uma manobra do governo de Recep Tayyip Erdogan para enfraquecer o poder municipal do Partido Republicano do Povo (CHP). Desde março, cerca de 550 cargos municipais e empresários foram presos, com mais de 200 ainda em detenção.
A operação atual, que resultou em 44 ordens de prisão, investiga uma suposta “organização criminosa” dentro da prefeitura de Istambul, que teria se beneficiado de sobornos em contratos públicos. As detenções foram impulsionadas por confissões de indivíduos que colaboraram com a justiça, incluindo o empresário Aziz Ihsan Aktas, que possui um longo histórico de contratos com diversas instituições, sem que estas tenham sido investigadas.
Entre os detidos, está Inan Güney, prefeito de Beyoglu, e vários membros de sua equipe. Beyoglu, um dos principais distritos de Istambul, foi governado por islamistas por 30 anos até a vitória do CHP nas eleições de 2024. Com a prisão de Güney, 15 prefeitos do CHP estão agora encarcerados, incluindo o ex-prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu.
Consequências Políticas
As operações têm gerado um impacto significativo na administração municipal. O governo já impôs interventores em distritos como Esenyurt e Sisli, onde os novos administradores estão reativando projetos que haviam sido bloqueados pelos prefeitos detidos. Além disso, a recente mudança de partido da prefeita de Aydin, Özlem Çerçioglu, para o AKP, levantou suspeitas de coerção, com o CHP alegando que ela foi ameaçada de prisão.
O líder do CHP, Özgür Özel, enfrenta também a possibilidade de ter sua imunidade parlamentar revogada, enquanto o partido lida com uma repressão sem precedentes desde o golpe de Estado de 1980. As operações contra os governos municipais do CHP e as ameaças judiciais contra seus líderes têm gerado protestos e um clima de incerteza política no país.
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