- O cantor ultra-nacionalista Thompson, nome artístico de Marko Perkovic, realizou um concerto em Zagreb que atraiu uma grande multidão, com a gestão do artista afirmando que mais de quinhentos mil ingressos foram vendidos.
- Durante o evento, o público cantou o slogan “Za dom, spremni”, associado ao regime Ustasha da Segunda Guerra Mundial, gerando críticas de políticos e organizações de direitos humanos.
- A Corte Constitucional da Croácia já declarou que a frase não é compatível com a Constituição do país.
- A ativista Tena Banjeglav alertou que o uso do slogan pode incitar a violência, enquanto o primeiro-ministro Andrej Plenkovic minimizou a situação, afirmando que faz parte do repertório do cantor.
- A Youth Initiative for Human Rights classificou o slogan como fascista e criticou a falta de reconhecimento das atrocidades da guerra na Bósnia.
A recente apresentação do cantor ultra-nacionalista Thompson, nome artístico de Marko Perkovic, em Zagreb, reacendeu intensos debates sobre a polarização social na Croácia. O evento, realizado no hipódromo da capital, atraiu uma multidão que, segundo a gestão do artista, ultrapassou 500 mil ingressos vendidos. No entanto, a presença real foi menor, mas ainda assim significativa, com centenas de milhares de pessoas.
Durante o show, o público entoou o slogan “Za dom, spremni”, que remete à era do regime Ustasha, aliado dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Essa expressão, considerada uma saudação fascista, provocou reações de políticos e organizações de direitos humanos. A oposição criticou a participação de membros do partido governista HDZ, que também se juntaram ao coro. A Corte Constitucional da Croácia já havia declarado que a frase não é compatível com a Constituição do país.
A ativista Tena Banjeglav, do Documenta – Centro para o Enfrentamento do Passado, alertou que o uso do slogan em eventos públicos pode criar um ambiente propício para a violência. O primeiro-ministro Andrej Plenkovic minimizou a situação, afirmando que o canto faz parte do repertório de Thompson. Por outro lado, o comentarista conservador Matija Štahan defendeu que o uso do slogan é uma expressão legítima de liberdade.
Reações e Consequências
A Youth Initiative for Human Rights (YIHR) classificou o slogan como claramente fascista, ressaltando que a Croácia, como membro da União Europeia, deveria ser um exemplo na região. A organização criticou a falta de reconhecimento das atrocidades cometidas durante a guerra na Bósnia e a identificação com o lado perdedor da Segunda Guerra.
Thompson também se apresentou em Krajina, celebrando o 30º aniversário da Operação Tempestade, que marcou o fim da guerra de independência, mas também resultou na deslocação de milhares de sérvios. O governo croata, que anteriormente havia começado a incluir homenagens às vítimas sérvias, parece agora priorizar a promoção do nacionalismo, como evidenciado por um desfile militar em Zagreb.
Historiadores como Tvrtko Jakovina apontam que a ascensão do nacionalismo na Croácia se intensificou após a saída do Reino Unido da União Europeia, sugerindo que a proteção dos valores antifascistas não deve ser responsabilidade apenas da Alemanha. A discussão sobre a identidade nacional e a história da Croácia continua a ser um tema divisivo e relevante na sociedade contemporânea.
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