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Sartre e Beauvoir viveram 81 dias de intensa experiência cultural no Brasil

Sartre e Beauvoir discutiram política e cultura em sua passagem pelo Brasil, influenciando o cenário intelectual do país.

A escritora Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre (ao meio) e o historiador brasileiro Eremildo Luiz Viana na Faculdade Nacional de Filosofia, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (Foto: Arquivo Nacional)
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  • Em 1960, Zélia Gattai e Jorge Amado receberam Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir no Brasil.
  • A visita durou 81 dias e abrangeu mais de 20 cidades em sete estados, incluindo Brasília.
  • Sartre e Beauvoir participaram de palestras sobre temas políticos, como a guerra da Argélia e a revolução em Cuba.
  • O casal francês também vivenciou a cultura local, visitando um terreiro de candomblé e assistindo a uma roda de capoeira.
  • A visita gerou intercâmbio cultural e inspirou publicações literárias, destacando seu impacto no cenário intelectual brasileiro.

Em 1960, Zélia Gattai e Jorge Amado se preparavam para receber os renomados filósofos franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em uma visita ao Brasil que durou 81 dias. O casal ilustre percorreu mais de 20 cidades em sete estados, incluindo a recém-inaugurada Brasília, com o intuito de discutir temas políticos e culturais.

A visita teve início em 12 de agosto e se estendeu até 1º de novembro. Durante esse período, Sartre e Beauvoir participaram de palestras sobre a Argélia, em guerra contra a França, e a Cuba pós-revolução. A socióloga Thainã Cardinalli destaca que a presença do filósofo no Brasil foi solicitada por intelectuais locais, aproveitando sua viagem à América Latina.

Um dos momentos marcantes foi a palestra em Araraquara, que se transformou no livro *Sartre no Brasil – A Conferência de Araraquara* (1986). Sartre se encontrou com figuras proeminentes da época, como Antonio Candido e Fernando Henrique Cardoso, em um contexto de efervescência política na América Latina.

Experiências Culturais

Além das palestras, o casal francês teve a oportunidade de vivenciar a cultura brasileira. Em Salvador, conheceram um terreiro de candomblé e assistiram a uma roda de capoeira. Sartre, que já havia explorado o potencial libertário dos mitos em suas obras, observou a riqueza cultural do Brasil, conforme analisa o jornalista Caio Liudvik.

Na capital federal, Sartre e Beauvoir se reuniram com o presidente Juscelino Kubitschek. A visita ocorreu em um momento crucial, com as eleições presidenciais de 1960 em andamento. Simone de Beauvoir, em suas memórias, fez observações sobre as contradições sociais da nova cidade, que buscava superar desigualdades, mas acabava por acentuá-las.

Legado e Impacto

A visita de Sartre e Beauvoir ao Brasil não apenas gerou um intercâmbio cultural, mas também inspirou obras literárias. Dois livros foram publicados sobre a passagem do casal pelo país, destacando a importância de sua presença no cenário intelectual brasileiro. A viagem, marcada por encontros e experiências, deixou um legado que perdura até hoje na memória cultural do Brasil.

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