- Getúlio Vargas é o mais homenageado em logradouros públicos no Brasil, com 2.593 menções em ruas, avenidas e praças.
- Um levantamento da Folha, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 35% dos municípios têm pelo menos um espaço público em sua homenagem.
- Vargas governou o Brasil de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, e sua memória está ligada ao legado do Estado Novo.
- A historiadora Angela de Castro Gomes afirma que os logradouros são “lugares de memória” que preservam a história política do país.
- São Paulo ocupa a 21ª posição em homenagens a Vargas, possivelmente devido ao legado da Revolução de 1932.
Getúlio Vargas é o mais homenageado em logradouros públicos no Brasil, com 2.593 menções em ruas, avenidas e praças. Um levantamento da Folha, baseado em dados do IBGE, revela que 35% dos municípios brasileiros têm pelo menos um espaço público em sua homenagem. Vargas governou o país em dois períodos, de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, e sua memória é frequentemente associada ao legado do Estado Novo.
A presença de Getúlio nas placas de todo o país reflete sua influência política e a força de sua liderança partidária. Entre 1945 e 1965, ele foi fundamental na fundação do PTB e na articulação do PSD, partidos que sustentaram seu governo e o de Juscelino Kubitschek. Angela de Castro Gomes, historiadora da UFF, destaca que os logradouros são “lugares de memória” que perpetuam a história política do Brasil.
Embora a maioria dos nomes de logradouros seja decidida pelas Câmaras de Vereadores, o STF reconheceu a competência dos prefeitos para essa denominação. A construção memorial em torno de Vargas é complexa, especialmente considerando seu papel autoritário durante o Estado Novo, que durou de 1937 a 1945. A historiadora Castro Gomes observa que a memória coletiva tende a obscurecer os aspectos repressivos desse período.
Além disso, a popularidade de Vargas é reforçada por suas conquistas sociais, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O impacto de sua morte em 1954 também contribuiu para a construção de sua imagem como mártir. A socióloga Maria Victoria Benevides ressalta que a comoção pela sua morte foi tão intensa que até instituições tradicionalmente contrárias a ele interromperam suas atividades.
Curiosamente, São Paulo, o estado mais populoso do Brasil, não lidera em homenagens a Vargas, ocupando a 21ª posição em número de municípios com logradouros em sua homenagem. Esse fenômeno pode ser atribuído ao legado da Revolução de 1932, que deixou marcas profundas nas relações entre o estado e a memória de Vargas.
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