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Direita sul-americana se une em aliança inspirada por Trump e gera riscos regionais

A vitória de Milei na Argentina e a disputa na Bolívia indicam uma mudança política significativa na América do Sul, com ascensão da direita.

Candidatos à presidência da Bolívia Rodrigo Paz (à esq.) e Jorge 'Tuto' Quiroga (à dir.) (Foto: AFP)
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  • Javier Milei foi eleito presidente da Argentina em dezembro de 2023, marcando uma guinada à direita no país.
  • Sua vitória ocorre em um contexto de alternância política, com governos de esquerda recentes em países como Chile, Colômbia e Brasil.
  • A Bolívia se prepara para um segundo turno entre candidatos de direita, Jorge “Tuto” Quiroga e Ricardo Paz Pereira, após a derrota do Movimento ao Socialismo (MAS).
  • A nova configuração política na América do Sul coincide com o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, que adota uma postura agressiva em relação à região.
  • Especialistas alertam para a possibilidade de interferência americana nas questões internas da América Latina, especialmente na Venezuela.

A eleição de Javier Milei como presidente da Argentina, em dezembro de 2023, sinaliza uma guinada à direita no país e pode indicar uma mudança de cenário na América do Sul. A vitória de Milei ocorre em um contexto de alternância política, onde governos de esquerda, como os de Gabriel Boric no Chile, Gustavo Petro na Colômbia e Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, dominaram as eleições recentes.

A situação se complica com a Bolívia, que se prepara para um segundo turno entre candidatos de direita, refletindo uma tendência de mudança regional. O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga e Ricardo Paz Pereira, ambos com propostas que visam encerrar políticas de esquerda, disputam a presidência. A derrota do Movimento ao Socialismo (MAS), que governou por 20 anos, intensifica essa transição.

Contexto Regional

A nova configuração política na América do Sul coincide com o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, que tem adotado uma postura agressiva em relação à região. Especialistas alertam que a administração Trump pode interferir em questões internas, especialmente na Venezuela, utilizando medidas como um decreto secreto para combater o narcotráfico. Juan Tokatlián, professor de Relações Internacionais, destaca que a quantidade de ações americanas é sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.

A ascensão da direita na América Latina é vista como uma resposta ao desempenho insatisfatório de governos anteriores, como os de Jair Bolsonaro, Sebastián Piñera e Iván Duque. A nova direita, mais radical e alinhada a Trump, busca construir narrativas contra inimigos comuns, o que tem se mostrado eficaz eleitoralmente.

Desdobramentos e Riscos

A possibilidade de uma maior presença militar americana na região gera preocupações. Sandra Borda, professora da Universidade dos Andes, aponta que a resistência nos EUA para usar a ordem executiva secreta está diminuindo, o que pode levar a uma escalada de tensões. Daniela Campello, da FGV/EBAPE, sugere que a agressividade de Trump pode unir os países latino-americanos contra a interferência externa.

A polarização política na América do Sul, somada à falta de instituições fortes, dificulta uma resposta unificada a possíveis ações dos EUA. A situação atual é desafiadora, com a região enfrentando um futuro incerto diante de um cenário político em transformação e ameaças externas.

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