- Especialistas contestam a classificação da Venezuela como um narcoestado, afirmando que não há evidências de uma estrutura centralizada de narcotráfico no país.
- Gabriela de Luca, consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina, destaca que existem conluios entre autoridades e traficantes, mas sem um cartel típico.
- O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirma que o governo venezuelano opera como um cartel, citando o Cartel de los Soles.
- O ex-oficial de Inteligência dos EUA, Fulton Armstrong, argumenta que a maioria das drogas não passa pela Venezuela e considera a narrativa do Cartel de los Soles exagerada.
- Estudos indicam que a Venezuela é uma rota de passagem para a cocaína, com estimativas de que entre sete e treze por cento da cocaína mundial transite pelo seu território.
Em meio a acusações dos Estados Unidos de que o governo da Venezuela é um narcoestado, especialistas contestam essa classificação. A consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina, Gabriela de Luca, afirma que não há evidências de uma estrutura centralizada de narcotráfico no país. Segundo ela, existem militares e autoridades envolvidas em esquemas de tráfico, mas isso não configura um cartel típico, como os mexicanos.
Recentemente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reiterou que o governo venezuelano opera como um cartel, afirmando que o Cartel de los Soles é uma das organizações mais amplas do continente. No entanto, de Luca ressalta que o que existe são redes difusas de conluio entre oficiais e traficantes, sem uma liderança única que vincule diretamente o presidente Nicolás Maduro ao narcotráfico.
O ex-oficial de Inteligência dos EUA, Fulton Armstrong, também questiona as alegações de que Maduro esteja diretamente ligado ao narcotráfico. Ele destaca que a maioria das drogas não passa pela Venezuela e que a narrativa do Cartel de los Soles é exagerada. Para Armstrong, analistas sérios não apoiam a ideia de um cartel sob controle do governo.
Críticas à Intervenção Militar
O coronel da reserva da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Robson Rodrigues, concorda que a caracterização da Venezuela como um narcoestado é infundada. Ele critica a presença militar dos EUA na região, afirmando que medidas de inteligência e cooperação regional são mais eficazes no combate ao narcotráfico. Rodrigues observa que o envolvimento de autoridades com o tráfico não é exclusivo da Venezuela, citando casos semelhantes nos EUA.
A acusação de que Maduro e sua cúpula estão envolvidos com o narcotráfico surgiu durante o governo Trump, em 2020, como parte de uma política de “máxima pressão”. O governo dos EUA aumentou a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro, alegando que ele é um dos maiores narcotraficantes do mundo.
A Realidade do Tráfico de Drogas
Estudos, como os do Washington Office on Latin America (WOLA), indicam que o papel da Venezuela no tráfico mundial é exagerado. Embora o crime organizado tenha crescido no país, a maioria da cocaína que chega aos EUA provém da Colômbia. O relatório mais recente da Agência das Nações Unidas para Drogas e Crime não menciona a Venezuela como um ator significativo no mercado global de drogas.
Gabriela de Luca destaca que a Venezuela não é uma produtora relevante, mas sim uma rota de passagem para a cocaína. Estimativas indicam que entre 7% e 13% da cocaína mundial passa por seu território ou águas. A cooperação entre países da América Latina é vista como essencial para enfrentar o narcotráfico, sem a necessidade de intervenções externas.
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