- A França convocou o embaixador dos Estados Unidos em Paris, Charles Kushner, após críticas sobre a inação no combate ao antissemitismo.
- O Ministério das Relações Exteriores francês considerou as declarações de Kushner inaceitáveis e uma violação do direito internacional.
- Kushner expressou preocupação com o aumento de atos antissemitas na França, alegando que as críticas a Israel e o reconhecimento do Estado palestino incentivam extremistas.
- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou Macron de alimentar o antissemitismo, o que foi rechaçado pelo governo francês.
- A convocação de Kushner reflete a insatisfação da França com a postura dos EUA, em um contexto de aumento significativo de atos antissemitas no país.
PARIS – A França convocou o embaixador dos Estados Unidos em Paris, Charles Kushner, após críticas direcionadas ao presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a suposta inação no combate ao antissemitismo. O Ministério das Relações Exteriores francês considerou as declarações de Kushner como “inaceitáveis” e uma violação do direito internacional.
Kushner enviou uma carta a Macron expressando preocupação com o aumento de atos antissemitas na França, que, segundo ele, têm se intensificado desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. O embaixador argumentou que as críticas à Israel e o reconhecimento do Estado palestino por parte da França incentivam extremistas e colocam em risco a segurança da comunidade judaica no país.
O descontentamento francês se intensificou após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusar Macron de “alimentar o fogo antissemita” ao anunciar a intenção de reconhecer a Palestina na Assembleia Geral da ONU. O governo francês rechaçou as críticas de Netanyahu, classificando-as como “abjetas e errôneas”.
Tensão nas Relações Franco-Americanas
A convocação de Kushner é uma resposta formal da França, refletindo a insatisfação com a postura dos EUA. O embaixador, que não possui experiência diplomática, é conhecido por suas polêmicas, incluindo uma condenação por evasão fiscal em 2005. A Casa Branca não se manifestou imediatamente sobre o assunto.
Desde o início da guerra em Gaza, a França registrou um aumento significativo nos atos antissemitas, com 1.676 incidentes em 2023, um número alarmante para a maior população judaica da Europa. O governo francês reafirmou seu compromisso em combater o antissemitismo, destacando que as alegações de Kushner não refletem a realidade da mobilização contra esses atos.
A situação evidencia a complexidade das relações entre França e Estados Unidos, especialmente em um contexto onde Macron busca um papel ativo nas questões do Oriente Médio, enquanto enfrenta críticas internas e externas sobre sua política em relação a Israel e Palestina.
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