- O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, vetou a extensão dos benefícios para refugiados ucranianos, limitando a assistência a quem está empregado.
- A decisão ocorre em um contexto de aumento do sentimento anti-ucraniano no país.
- Nawrocki argumentou que as leis precisam ser atualizadas após três anos e meio desde o início da guerra.
- O primeiro-ministro, Donald Tusk, e a ministra do Trabalho, Agnieszka Dziemianowicz-Bąk, criticaram a medida, ressaltando que não se deve punir quem perdeu o emprego.
- A Polônia, que acolheu cerca de um milhão de refugiados ucranianos, enfrenta uma mudança na percepção pública após o apoio inicial em 2022.
O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, vetou a proposta de extensão dos benefícios para refugiados ucranianos, limitando a assistência apenas a aqueles que estão empregados. A decisão ocorre em meio ao crescente sentimento anti-ucraniano no país, que se intensificou desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.
Nawrocki, que assumiu o cargo recentemente, afirmou que após três anos e meio, as leis precisam ser atualizadas. Ele vetou um projeto que prorrogaria os pagamentos de benefícios, que expiram em setembro, até março de 2026. Estima-se que cerca de 1 milhão de refugiados ucranianos se estabeleceram na Polônia, a maioria composta por mulheres e crianças.
O primeiro-ministro, Donald Tusk, e outros membros do governo criticaram a decisão. A ministra do Trabalho, Agnieszka Dziemianowicz-Bąk, destacou que não se deve punir pessoas por perderem seus empregos, especialmente crianças. Os pagamentos de benefícios para crianças são de 800 złoty (aproximadamente R$ 162) por mês.
Implicações da Decisão
A decisão de Nawrocki também levanta preocupações sobre o futuro do financiamento do Starlink, serviço de internet via satélite que a Polônia fornece à Ucrânia. O vice-primeiro-ministro, Krzysztof Gawkowski, alertou que o veto pode comprometer essa assistência. Um porta-voz de Nawrocki indicou que os pagamentos do Starlink poderiam continuar se um novo projeto de lei for aprovado até o final de setembro.
A Polônia foi um dos países mais receptivos a refugiados ucranianos, com muitos poloneses oferecendo ajuda. Contudo, o aumento da hostilidade contra os ucranianos tem sido alimentado por políticos que buscam capitalizar sobre a situação. Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento da Polônia revelou que os ucranianos contribuíram mais em impostos do que receberam em benefícios, sendo essenciais para a estabilidade econômica do país.
Contexto Histórico
A relação entre Polônia e Ucrânia é complexa, marcada por questões históricas que ainda geram ressentimentos. Nawrocki também manifestou intenção de modificar o código penal polonês para equiparar a promoção do líder nacionalista ucraniano Stepan Bandera à promoção do nazismo, refletindo a tensão existente. Bartosz Cichocki, ex-embaixador da Polônia na Ucrânia, observou que a mudança de atitude pública era esperada após o apoio inicial massivo em 2022.
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