- O ex-presidente Jair Bolsonaro e o tenente-coronel Mauro Cid distribuíram a proxalutamida, um medicamento sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a aliados durante a pandemia de covid-19.
- A Polícia Federal investiga a irregularidade na importação e distribuição do fármaco, que ainda está em fase de testes.
- Documentos da Polícia Federal mostram que Cid coordenou a distribuição do medicamento com autorização de Bolsonaro em 2021.
- Mensagens indicam que a proxalutamida foi enviada a diversas pessoas, incluindo um pastor e familiares de políticos, e que Cid guardava comprimidos para distribuição.
- A Anvisa suspendeu a importação do medicamento após descobrir irregularidades e o Ministério Público Federal também investiga o caso.
BRASÍLIA – Novas investigações revelam que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o tenente-coronel Mauro Cid distribuíram a proxalutamida, um medicamento sem registro na Anvisa, a aliados durante a pandemia de covid-19. A Polícia Federal apura a irregularidade na importação e entrega do fármaco, que ainda está em fase de testes.
Documentos obtidos pela PF mostram que Cid, em 2021, obteve uma carga do medicamento e coordenou sua distribuição com a autorização de Bolsonaro. O uso da proxalutamida, um anti-androgênio produzido na China, foi promovido por bolsonaristas com base em informações falsas, apesar de não haver comprovação científica de sua eficácia contra a covid-19.
A Anvisa havia autorizado estudos sobre o uso da proxalutamida, mas suspendeu a importação após descobrir irregularidades, incluindo a entrega de quantidades superiores às permitidas. O Ministério Público Federal investiga o caso, que envolve também o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
Distribuição Irregular
Mensagens trocadas entre Cid e Bolsonaro revelam que o medicamento foi enviado a diversas pessoas, incluindo o pastor R. R. Soares e familiares de políticos. Em um diálogo, Cid sugere enviar a proxalutamida a um amigo internado com covid-19, e Bolsonaro aprova a ação. Cid também confirmou entregas em Goiânia, mencionando a distribuição a aliados próximos.
Além disso, a troca de mensagens indica que Cid guardava comprimidos para distribuição, afirmando que o medicamento poderia “levantar defunto”. A PF investiga se essa distribuição caracteriza crime, com penas que podem chegar a 15 anos de prisão.
Implicações e Reações
A Anvisa reiterou que a comercialização de medicamentos sem registro é irregular. O médico Flávio Cadegiani, que liderou a pesquisa sobre a proxalutamida, negou ter orientado o uso fora do âmbito dos estudos. A operação da PF, denominada Duplo Cego, visa apurar crimes relacionados ao contrabando e à distribuição do medicamento.
As revelações sobre a distribuição da proxalutamida por Bolsonaro e Cid levantam questões sobre a condução da política de saúde durante a pandemia e a responsabilidade dos envolvidos na promoção de tratamentos não comprovados.
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