- A avenida General Olímpio da Silveira e a favela do Moinho, em São Paulo, tornaram-se novos pontos de venda e consumo de crack, quatro meses após a dispersão dos sem-teto da rua dos Protestantes.
- O comércio de crack ocorre de forma visível, com aglomerações de usuários e pequenos traficantes, criando um ambiente descrito como “shopping cracolândia”.
- Moradores e comerciantes relatam aumento de barulho, sujeira e queda na clientela dos negócios locais, além de furtos.
- A gestão de Ricardo Nunes (MDB) afirma ter intensificado ações de atendimento social e segurança, com mais de 15 mil abordagens realizadas entre junho e agosto.
- A situação na favela do Moinho é crítica, com a presença esporádica de agentes de saúde e segurança, enquanto áreas tradicionais continuam a ser focos de aglomeração de usuários.
A avenida General Olímpio da Silveira e a favela do Moinho, em São Paulo, emergiram como novos focos de venda e consumo de crack, apenas quatro meses após a dispersão dos sem-teto da rua dos Protestantes. A situação se agrava com relatos de barulho, sujeira e a ausência de assistentes sociais e segurança na área.
No trecho entre a rua Conselheiro Brotero e a avenida Pacaembu, o comércio de crack ocorre de forma ostensiva, com usuários e pequenos traficantes se aglomerando na escadaria. Dependentes químicos expõem cachaça, cachimbos e roupas em caixotes, criando um ambiente descrito como “shopping cracolândia”. Durante uma reportagem, foi possível observar a movimentação intensa entre pedestres e usuários, com a presença de até 50 pessoas em determinados momentos.
Moradores e comerciantes expressam preocupação com a situação. Maria Silvana, 58 anos, afirmou que nunca viu algo tão grave em seus 20 anos na região. Ela relatou que o barulho e a sujeira são constantes, e a limpeza feita pela prefeitura é ineficaz. A presença de usuários e o comércio de drogas têm impactado negativamente os negócios locais, levando a uma queda na clientela de restaurantes e a relatos de furtos.
Ações da Prefeitura
A gestão de Ricardo Nunes (MDB) reconhece a existência das aglomerações e afirma ter intensificado o atendimento social e ações de segurança. Entre junho e agosto, foram realizadas mais de 15 mil abordagens, resultando em mais de 11 mil encaminhamentos para acolhimento. No entanto, a reportagem não encontrou assistentes sociais ou agentes de saúde durante a apuração.
A situação na favela do Moinho também é crítica, com novos grupos de dependentes químicos se formando. A presença de agentes de saúde e segurança é esporádica, e a dinâmica de consumo de drogas continua sem controle. A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca soluções habitacionais para a favela, mas a realidade no local permanece desafiadora.
Além dos novos pontos, áreas tradicionais como os baixos da praça Roosevelt e o cruzamento da rua Helvétia continuam a ser locais de aglomeração de usuários. A prefeitura e o governo estadual afirmam atuar em conjunto para combater o tráfico e oferecer assistência, mas a eficácia dessas ações ainda é questionada pelos moradores.
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