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Governo do Pará é acusado de espionagem ilegal contra indígenas em programa de proteção

MPF classifica monitoramento de indígenas como ilegal e pede bloqueio das redes sociais do governador do Pará por desobediência judicial

Indígenas de várias etnias da Amazônia ocupam sede da Secretaria de Educação do Pará, em Belém, durante protestos no início do ano (Foto: Nay Jinknss - 22.jan.25/Divulgação)
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  • O Ministério Público Federal (MPF) declarou ilegal o monitoramento de indígenas pelo Governo do Pará, realizado por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH).
  • A ação judicial foi motivada por denúncias de espionagem durante protestos em janeiro contra a educação online nas aldeias.
  • O MPF já havia processado o governo por disseminação de informações falsas sobre a mobilização dos povos tradicionais.
  • O MPF solicitou à Justiça Federal o bloqueio das redes sociais do governador Helder Barbalho e multas de R$ 10 milhões para o governo e para Barbalho.
  • Um secretário admitiu o uso do PPDDH para monitoramento, o que levantou preocupações sobre a violação da privacidade e da liberdade de associação dos indígenas.

O MPF (Ministério Público Federal) declarou, nesta quarta-feira (27), que o monitoramento de indígenas pelo Governo do Pará, através do PPDDH (Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos), é ilegal. A ação judicial foi motivada por denúncias de espionagem de lideranças indígenas durante protestos em Belém, que ocorreram em janeiro, contra a educação online nas aldeias. Os protestos culminaram na revogação de uma lei aprovada em dezembro de 2024.

A Procuradoria, junto à DPU (Defensoria Pública da União) e à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), já havia iniciado um processo contra o governo estadual por disseminação de informações falsas sobre a mobilização dos povos tradicionais. Em fevereiro, uma decisão judicial exigiu a remoção de conteúdos considerados falsos e a veiculação de um vídeo com o direito de resposta das comunidades, sob pena de multa. Contudo, o MPF alega que o governador Helder Barbalho desobedeceu essa ordem.

O MPF solicitou à Justiça Federal o bloqueio das redes sociais do governador até que o direito de resposta seja publicado, além de multas de R$ 10 milhões para o governo e para Barbalho. A Procuradoria também pediu uma multa adicional de R$ 2 milhões, argumentando que o governador tem ignorado a decisão judicial por considerar que isso prejudicaria sua imagem política antes da COP30, que ocorrerá em Belém em novembro.

O uso do PPDDH para monitoramento foi admitido em depoimento por Carlos André Viana da Costa, secretário adjunto de inteligência da Segup (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social). Ele revelou que colaboradores infiltrados nas manifestações repassavam informações em tempo real sobre os movimentos dos indígenas. O MPF considera essa prática uma violação da privacidade e da liberdade de associação, comprometendo a integridade dos programas de proteção.

A advogada Alane Luzia da Silva, da ONG Terra de Direitos, destacou que o uso indevido do PPDDH pode comprometer a credibilidade das políticas de proteção a ativistas em situação de vulnerabilidade. A situação levanta preocupações sobre a confiança que os defensores de direitos humanos podem ter nas estruturas de proteção do Estado.

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