- O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello orientou o ex-presidente Jair Bolsonaro a promover o uso da proxalutamida, um medicamento não autorizado no Brasil.
- Após deixar o cargo, Pazuello continuou a supervisionar a distribuição do remédio, coordenada pelo tenente-coronel Mauro Cid.
- Em abril de 2021, Pazuello enviou mensagens a Cid sugerindo que Bolsonaro mencionasse a proxalutamida em uma transmissão ao vivo, alegando sua eficácia em Manaus.
- A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu a importação da proxalutamida devido a irregularidades, e o Ministério Público Federal investiga a distribuição do medicamento a aliados políticos.
- O deputado Luciano Bivar confirmou ter recebido a substância, mas não a utilizou.
BRASÍLIA – Durante a pandemia de covid-19, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello orientou o então presidente Jair Bolsonaro a promover o uso da proxalutamida, um medicamento não autorizado no Brasil. Após deixar o cargo, Pazuello continuou a supervisionar a distribuição do remédio, que foi coordenada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro.
Documentos obtidos pela Polícia Federal revelam que, em abril de 2021, Pazuello enviou mensagens a Cid sugerindo que Bolsonaro mencionasse a proxalutamida em uma transmissão ao vivo. Ele argumentou que o medicamento havia sido eficaz durante a crise do oxigênio em Manaus, embora não houvesse comprovação científica para tal afirmação. Na live, Bolsonaro realmente abordou o tema, pedindo a um membro do Ministério da Saúde que comentasse sobre o remédio.
Após essa transmissão, Cid e Pazuello trocaram mensagens sobre a entrega de pacotes do medicamento. Cid informou que receberia 280 comprimidos e questionou se a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) havia aprovado seu uso. Pazuello respondeu que a comissão ainda estava reavaliando a questão, embora a utilização da proxalutamida já tivesse sido suspensa devido a irregularidades.
A proxalutamida, um anti-androgênio não-esteroidal, foi defendida por bolsonaristas como tratamento para a covid-19, apesar de não ter autorização em órgãos regulatórios internacionais. A Anvisa chegou a permitir estudos sobre o uso do medicamento, mas a importação foi suspensa após a descoberta de irregularidades. O Ministério Público Federal investiga o caso, que envolve a distribuição do remédio a aliados políticos, como o deputado Luciano Bivar, que confirmou ter recebido a substância, mas não a utilizou.
Pazuello, que esteve à frente do Ministério da Saúde durante um período crítico da pandemia, foi amplamente criticado por suas ações, incluindo a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada, como cloroquina e hidroxicloroquina. A pandemia resultou na morte de cerca de 700 mil brasileiros, e sua gestão é marcada por decisões controversas, como a recusa em adquirir vacinas em momentos críticos.
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