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Megaoperação desmantela crime organizado em Faria Lima e setor de combustíveis

Operação Carbono Oculto revela esquema de R$ 52 bilhões do PCC, com foco em adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro em dez estados

Só a Faria Lima concentra 42 alvos – empresas, corretoras e fundos de investimentos – da operação lançada nesta quinta-feira contra o crime organizado (Foto: Tiago Queiroz/Tiago Queiroz/Estadão)
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  • A Operação Carbono Oculto, realizada em 28 de setembro de 2023, desmantelou um esquema de fraudes no setor de combustíveis ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
  • A operação mobilizou 1.400 agentes em dez estados e cumpriu 200 mandados de busca e apreensão.
  • As investigações revelaram movimentações financeiras superiores a R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com foco na adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.
  • Entre os alvos, estavam empresas e fundos de investimento, incluindo o BK Bank, que registrou R$ 17,7 bilhões em transações suspeitas.
  • A Receita Federal estima que o esquema tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais e R$ 7,6 bilhões em tributos estaduais.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada na manhã de 28 de setembro de 2023, desmantelou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação mobilizou 1.400 agentes em dez estados, resultando em 200 mandados de busca e apreensão. As investigações revelaram movimentações financeiras que ultrapassam R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com foco na adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

Na Avenida Faria Lima, em São Paulo, 42 alvos foram identificados, incluindo empresas e fundos de investimento. A principal instituição financeira sob investigação, o BK Bank, registrou R$ 17,7 bilhões em transações suspeitas. A Receita Federal estima que o esquema tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais e R$ 7,6 bilhões em tributos estaduais. As fraudes abrangem desde a importação de metanol até a adulteração de gasolina, comprometendo a qualidade do combustível.

Estrutura do Esquema

Os investigadores descobriram que o PCC utilizava uma rede complexa de fintechs e empresas para ocultar a origem ilícita dos recursos. Entre os envolvidos estão os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que controlavam usinas de etanol e postos de gasolina. As operações incluíam a importação irregular de metanol, que chegava a 50% da composição da gasolina, muito acima do limite legal de 0,5%.

Além disso, as investigações apontam que 1.000 postos de combustíveis em dez estados estavam envolvidos no esquema. A Receita Federal identificou que 140 postos não registraram movimentação, mas estavam vinculados a transações fictícias que somavam mais de R$ 2 bilhões. O uso de notas fiscais fraudulentas foi uma das táticas para disfarçar a ilegalidade das operações.

Consequências e Desdobramentos

A operação resultou na indisponibilidade de quatro usinas de álcool, cinco redes de postos de gasolina e 17 distribuidoras de combustível. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional já iniciou ações para bloquear mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos. As autoridades destacam que a operação é um passo significativo no combate ao crime organizado, evidenciando a infiltração do PCC na economia formal e a necessidade de ações rigorosas para proteger o setor de combustíveis.

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