- Um escândalo de vazamento de áudios sobre propinas na distribuição de medicamentos paralisou o governo do presidente argentino Javier Milei.
- O ex-diretor da Agência Nacional de Pessoas com Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, mencionou a irmã de Milei, Karina, como beneficiária das propinas.
- Spagnuolo foi demitido e teve seu celular e documentos apreendidos em uma operação policial.
- O risco econômico da Argentina aumentou, com o Emerging Markets Bond Index (EMBI) atingindo 850 pontos-base, o pior nível em mais de quatro meses.
- A confiança do consumidor caiu 13,9% em agosto, e as ações argentinas registraram a pior queda do ano, com o S&P Merval caindo 4% em pesos.
O escândalo de vazamento de áudios sobre propinas na distribuição de medicamentos para pessoas com deficiência paralisou o governo do presidente argentino Javier Milei. O caso envolve o ex-diretor da Agência Nacional de Pessoas com Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, que mencionou a irmã de Milei, Karina, como beneficiária das propinas. O presidente classificou as acusações como mentirosas.
Spagnuolo foi destituído do cargo e, em uma operação policial, seu celular e documentos de sócios da Drogaria Suizo Argentina foram apreendidos. O escândalo surge em um momento crítico para a economia argentina, que já enfrentava um aumento do risco medido pelo EMBI (Emerging Markets Bond Index), que atingiu 850 pontos-base, o pior nível em mais de quatro meses. Desde o início do ano, o indicador subiu 34%.
A incerteza política gerada pelo escândalo coincide com a proximidade das eleições legislativas na Província de Buenos Aires e a renovação parcial do Congresso Nacional. O governo já enfrentava derrotas no Congresso, incluindo a derrubada de vetos de Milei a reajustes para universidades e benefícios para deficientes. A confiança do consumidor caiu 13,9% em agosto, atingindo o menor nível em um ano.
Na quarta-feira (27), Milei se manifestou sobre o escândalo, afirmando que seu ex-funcionário responderia na Justiça. Antes de sua declaração, as ações argentinas sofreram quedas significativas, com o S&P Merval registrando a pior queda do ano, de 4% em pesos e 6% em dólares. O dólar oficial, vendido pelo Banco Nación, estava a 1.360 pesos, uma alta de 3,5% em uma semana.
O cenário econômico é complicado, com a atividade estagnada e taxas de juros elevadas, que dificultam a recuperação. A consultoria Invecq aponta que as taxas de juros historicamente altas não são compatíveis com um crescimento econômico, o que pode impactar os dados de atividade antes das eleições.
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