- Uma megaoperação realizada em 24 de outubro de 2023 revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) adquiriu fazendas e usinas de cana em São Paulo.
- A ação visa desmantelar um esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.
- A superintendente da 8ª região fiscal da Receita Federal, Márcia Meng, informou que usinas não compradas pela facção estão sob controle de sócios que se tornaram “reféns”.
- O empresário Mohamad Hussein Mourad é acusado de comprar as usinas Itajobi e Carolo para fraudes fiscais, com indícios de sobrepreço na compra de cana.
- O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) investiga outras usinas e a Receita Federal tomará controle de algumas para evitar adulteração de combustíveis.
Uma megaoperação realizada por uma força-tarefa de órgãos federais e estaduais revelou que o PCC (Primeiro Comando da Capital) adquiriu fazendas e usinas de cana em São Paulo, além de assediar outras usinas. A ação, deflagrada na terça-feira, 24 de outubro de 2023, visa desmantelar um esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.
De acordo com a superintendente da 8ª região fiscal da Receita Federal, Márcia Meng, as usinas que não foram compradas pela facção estão sob controle de sócios que se tornaram “reféns”. A investigação também aponta que o PCC adulterava combustíveis com metanol e pode estar envolvido em crimes ambientais, como os incêndios em canaviais que causaram prejuízos milionários a empresas do setor.
O empresário Mohamad Hussein Mourad, ligado ao PCC, é acusado de comprar as usinas Itajobi e Carolo para implementar um esquema de fraudes fiscais. A usina Itajobi, prestes a pedir recuperação judicial, foi adquirida por meio do fundo FIDC Mabruk II, enquanto a Carolo foi comprada pelo Fiagro Participation. Ambas as usinas apresentaram indícios de sobrepreço na compra de cana, sugerindo um esquema de sonegação de impostos.
Investigações em Andamento
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) investiga ainda outras usinas que podem ter sido adquiridas por Mourad, como as usinas Rio Pardo, Furlan e Comanche. A denúncia aponta que a Rio Pardo foi comprada recentemente, enquanto a Furlan recebeu transferências significativas que indicam lavagem de dinheiro.
Além disso, Mourad estaria tentando tomar o controle das usinas do Grupo Virgolino de Oliveira, que está em recuperação judicial. A Receita Federal anunciou que tomará o controle de algumas usinas para barrar a adulteração de combustíveis e investiga a movimentação financeira sem lastro nas contas das usinas envolvidas.
Entidades do setor comemoraram a operação, destacando a importância de combater a criminalidade que afeta a indústria sucroalcooleira. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram em breve, com mais usinas sendo investigadas.
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