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Venezuela registra 23 casos de desaparecimentos forçados, denuncia relatório

Advogado de direitos humanos é preso na Venezuela, enquanto Provea denuncia 23 casos de desaparecimentos forçados em meio à repressão estatal

Membro da guarda presidencial discursa durante dia de orientação para recrutamento da Milícia Nacional Bolivariana em Caracas (Foto: Reprodução)
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  • O advogado Eduardo Torres Muñoz foi preso em 9 de maio após defender uma mulher em tribunal na Venezuela.
  • Sua esposa, Emiselys, ficou dias sem saber seu paradeiro e soube da detenção pela televisão.
  • Eduardo, que atua na organização de direitos humanos Provea, está acusado de terrorismo e permanece sem poder receber visitas ou fazer telefonemas.
  • Um relatório da Provea, a ser divulgado no Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, revela 23 casos semelhantes de desaparecimentos forçados no país.
  • As detenções são realizadas principalmente por organismos militares, e a repressão aumentou após as eleições presidenciais de julho do ano passado, resultando em protestos com 28 mortos e mais de 2.400 presos.

O advogado venezuelano Eduardo Torres Muñoz foi preso em 9 de maio após defender uma mulher em tribunal. Sua esposa, Emiselys, passou dias sem saber seu paradeiro, até descobrir pela televisão que ele estava detido e acusado de terrorismo. Eduardo, que atua na organização de direitos humanos Provea, permanece preso sem poder receber visitas ou fazer telefonemas.

Um relatório da Provea, que será divulgado no Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, revela 23 casos semelhantes de desaparecimentos forçados na Venezuela entre setembro de 2024 e maio deste ano. O documento destaca que familiares e advogados frequentemente ficam sem informações sobre os detidos, com apenas quatro dos 23 casos registrados tendo sido liberados até o momento.

As detenções são realizadas principalmente por organismos militares, como a Direção Geral de Contrainteligência Militar e a Guarda Nacional Bolivariana. O coordenador da Provea, Oscar Murillo, afirma que 73,9% das detenções são feitas por essas forças, evidenciando um padrão de repressão que viola gravemente os direitos humanos. As acusações contra os detidos incluem financiamento ao terrorismo e conspiração.

Após as eleições presidenciais de julho do ano passado, que foram marcadas por alegações de fraude, a repressão aumentou, resultando em protestos que deixaram 28 mortos e mais de 2.400 presos. Emiselys, que agora é responsável pela casa e pelos filhos, relata as dificuldades enfrentadas pela família, destacando que Eduardo era o principal sustento.

As práticas de perseguição se intensificaram, e a Provea continua sem informações sobre o paradeiro de quatro dos 23 casos. A situação na Venezuela reflete uma crise de legitimidade do regime de Nicolás Maduro, que tem utilizado a repressão como resposta a qualquer forma de oposição.

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