- O censo brasileiro de 2022 revelou que 55,5% da população se declarou negra, incluindo pretos (10,2%) e pardos (45,3%).
- A separação entre pretos e pardos pode enfraquecer a luta contra o racismo e as políticas de ações afirmativas.
- A renda média domiciliar per capita em 2024 foi de R$ 3.100 para brancos, enquanto pretos e pardos tiveram rendas de R$ 1.800 e R$ 1.750, respectivamente.
- A classificação conjunta de pretos e pardos é defendida como uma estratégia para enfrentar desigualdades.
- A luta por igualdade racial é uma questão política que deve unir os grupos marginalizados.
O último censo brasileiro, realizado em 2022, revelou que 55,5% da população se declarou negra, somando pretos (10,2%) e pardos (45,3%). Essa maioria, no entanto, enfrenta desafios na luta contra o racismo, especialmente devido à separação entre as categorias racialmente definidas.
Historicamente, a categorização racial tem sido uma ferramenta de divisão e marginalização. No apartheid sul-africano, por exemplo, a categoria “coloured” excluía mestiços dos direitos plenos. Nos Estados Unidos, uma gota de sangue africano era suficiente para classificar alguém como preto, sem espaço para nuances. Essa abordagem tem sido criticada por dificultar a organização política dos grupos marginalizados.
No Brasil, a diferença de renda entre brancos e negros é alarmante. Em 2024, a renda média domiciliar per capita dos brancos foi de R$ 3.100, enquanto a dos pardos e pretos ficou em torno de R$ 1.800 e R$ 1.750, respectivamente. Esses dados evidenciam que pretos e pardos têm condições de vida semelhantes e estão distantes dos brancos.
Desafios da Classificação Racial
A separação entre pretos e pardos pode enfraquecer a luta contra o racismo. O movimento social negro e a sociologia brasileira defendem a classificação conjunta como uma estratégia para enfrentar as desigualdades. Desvincular pardos da categoria negra pode desmobilizar milhões de pessoas que poderiam se unir na luta por direitos iguais.
A insistência em criar novas nomenclaturas para os pardos levanta questões sobre o impacto político dessas classificações. A luta contra o racismo exige uma abordagem unificada, pois a cor da pele ainda hierarquiza o acesso a direitos e oportunidades. A luta por igualdade racial é uma questão política, e a categorização racial deve ser utilizada para fortalecer essa luta, não para dividi-la.
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