- O México inicia uma nova fase no Judiciário com a posse de juízes eleitos por voto popular em 1º de setembro.
- A eleição, realizada em 1º de junho, teve apenas 13% de participação do eleitorado e denúncias de irregularidades.
- A nova composição inclui mais de 2 mil cargos, como ministros da Suprema Corte e juízes estaduais.
- Hugo Aguilar, o candidato mais votado, assume como presidente da Suprema Corte e enfrenta críticas sobre a politização do Judiciário.
- Entre os eleitos, 25 candidatos têm antecedentes questionáveis, incluindo uma ex-advogada de um traficante de drogas.
O México inicia uma nova era em seu sistema Judiciário com a posse dos primeiros juízes eleitos por voto popular, marcada para 1º de setembro. Essa mudança, celebrada pela presidente Claudia Sheinbaum, é vista como um avanço democrático em um país com altos níveis de impunidade, onde mais de 90% dos crimes não são punidos.
A eleição, realizada em 1º de junho, teve baixa participação, com apenas 13% do eleitorado comparecendo às urnas. Além disso, surgiram denúncias de irregularidades, como o uso de métodos ilegais para favorecer candidatos alinhados ao governo. A nova composição do Judiciário inclui mais de 2 mil cargos, entre eles ministros da Suprema Corte e juízes estaduais.
Preocupações com a Politização
A posse de Hugo Aguilar, o candidato mais votado e indígena mixteco, como novo presidente da Suprema Corte, levanta preocupações sobre a politização do Judiciário. Aguilar, que já atuou na administração do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, afirmou que o principal desafio será reconquistar a confiança da cidadania.
Organizações da sociedade civil, como a ONG Defensorxs, criticam a reforma, alegando que não visa combater a impunidade, mas sim capturar politicamente os tribunais. O presidente da ONG, Miguel Alfonso Meza, destacou que a eleição foi uma “operação de Estado” para colocar aliados do governo em posições estratégicas.
Casos Controversos
Entre os eleitos, pelo menos 25 candidatos têm antecedentes considerados arriscados, incluindo envolvimento em corrupção e tráfico de pessoas. Um dos casos mais emblemáticos é o de Silvia Delgado, ex-advogada de Joaquín “El Chapo” Guzmán, que assumirá como juíza criminal em Chihuahua. Meza expressou preocupação de que a corrupção nos tribunais se torne sistêmica, com tribunais atuando em favor do crime organizado e de políticos ligados a essas estruturas.
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