- Um decreto da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) proibiu aluguéis de curta temporada em unidades habitacionais de interesse social em São Paulo.
- A medida busca proteger famílias de baixa renda, mas a falta de fiscalização gerou conflitos entre moradores e investidores.
- O investidor Cassio Reina entrou com uma ação judicial após descobrir que a incorporadora One Innovation alterou a convenção condominial para permitir esses aluguéis.
- Cerca de 20 moradores se uniram em uma ação judicial que resultou em uma liminar proibindo a destinação das unidades HMP (Habitação de Mercado Popular) para aluguéis de curta duração.
- A gestão municipal planeja lançar uma plataforma para melhorar a fiscalização, mas enfrenta dificuldades para instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o uso irregular de incentivos por construtoras.
Recentemente, um decreto da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) proibiu aluguéis de curta temporada em unidades habitacionais de interesse social em São Paulo. A medida visa proteger famílias de baixa renda, mas a falta de fiscalização gerou conflitos entre moradores e investidores, resultando em ações judiciais.
Cassio Reina, investidor em um condomínio na zona oeste, ficou surpreso ao ver anúncios de aluguel de curta duração, como os do Airbnb, em apartamentos destinados a moradores de baixa renda. Ele recorreu à Justiça após descobrir que a incorporadora One Innovation alterou a convenção condominial para permitir esses aluguéis, o que contraria a política habitacional. Moradores relataram um aumento de visitantes esporádicos, causando incômodo e insegurança nas áreas comuns.
A situação levou cerca de 20 moradores a se unirem em uma ação judicial, que resultou em uma liminar proibindo a destinação das unidades HMP (Habitação de Mercado Popular) para aluguéis de curta duração. A advogada Liliana Almeida, que representa os moradores, destacou a ilegalidade da prática, já que os compradores adquiriram as unidades com a expectativa de moradia.
Fiscalização e Desafios
Desde 2014, a legislação paulistana permite a construção de unidades habitacionais de interesse social, com incentivos fiscais para construtoras. Contudo, a fiscalização é considerada ineficiente. O promotor de Habitação, Marcus Vinicius Monteiro dos Santos, afirmou que recebeu cerca de 6.500 denúncias de possíveis fraudes em transações de interesse social entre janeiro e agosto deste ano, mas apenas 13 casos foram concluídos.
A gestão municipal informou que aplicou 12 multas a empresas por descumprimento das regras e planeja lançar uma plataforma para melhorar a fiscalização. No entanto, a Câmara Municipal enfrenta dificuldades para instaurar uma CPI que investigue o uso irregular de incentivos por construtoras, devido à falta de indicações de membros.
O Airbnb, por sua vez, afirmou que está alinhado com as políticas de moradia social, mas não comentou sobre a falta de fiscalização. A situação continua a gerar insegurança jurídica, com a necessidade de uma padronização nas regras para aluguéis de curta temporada em São Paulo.
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