- O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) começou em dois de setembro de dois mil e vinte e cinco.
- A acusação envolve um suposto plano golpista após a derrota nas eleições de dois mil e vinte e dois.
- A colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid é central na acusação, mas sua credibilidade é contestada pela defesa de Bolsonaro.
- Cid, que aceitou colaborar após quatro meses de prisão, apresentou diversas versões de sua delação, o que gerou dúvidas sobre sua confiabilidade.
- A Polícia Federal corroborou informações com documentos e depoimentos de militares, que afirmaram que Bolsonaro discutiu a possibilidade de ruptura democrática.
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira (2) e gira em torno de um suposto plano golpista após sua derrota nas eleições de 2022. A colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, é um dos principais elementos da acusação, mas sua credibilidade está sendo questionada.
Cid, que aceitou colaborar em setembro de 2023 após quatro meses de prisão, revelou detalhes sobre reuniões e ordens que sustentariam o plano para manter Bolsonaro no poder. No entanto, a defesa do ex-presidente argumenta que a delação foi obtida sob coação e que Cid alterou suas versões diversas vezes. O ministro Luiz Fux expressou reservas sobre a credibilidade da colaboração, destacando que Cid apresentou nove versões diferentes de sua delação.
A validade da delação de Cid não é a única base da acusação. A Polícia Federal confirmou informações por meio de documentos, quebras de sigilo e depoimentos de militares de alta patente, como o general Freire Gomes e o almirante Carlos de Almeida Baptista Júnior. Ambos afirmaram que Bolsonaro discutiu a possibilidade de uma ruptura democrática, o que é negado pelos réus.
A eventual anulação do acordo de colaboração não encerraria automaticamente a ação penal. Segundo especialistas, muitos dos elementos probatórios já foram corroborados por fontes independentes. A criminalista Marina Gomes afirmou que a delação de Cid pode ser vista como acessória, já que outras provas sustentam a acusação.
Os advogados de Bolsonaro tentam deslegitimar a delação, alegando que foi fruto de coação e que Cid não é confiável. A prisão de Cid, que ocorreu por suspeitas de fraude em certificados de vacinação, foi citada como justificativa para sua detenção, mas não está diretamente relacionada ao caso em julgamento.
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