- O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado começa nesta terça-feira, 2 de setembro.
- O professor de Direito Constitucional Daniel Capecchi Nunes considera essa ação um avanço para a democracia brasileira.
- Nunes alerta que a desigualdade social e o caos orçamentário ainda representam riscos para a democracia.
- A concentração de renda aumentou durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, dificultando reformas tributárias.
- O fortalecimento da democracia depende do combate a diferentes formas de desigualdade e da recuperação do potencial da Constituição de 1988.
O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado, que começa nesta terça-feira, 2, é considerado um avanço significativo para a democracia brasileira. No entanto, o professor de Direito Constitucional Daniel Capecchi Nunes alerta que essa medida não elimina o risco de novas tentativas autoritárias. Em entrevista à CartaCapital, Nunes destaca que o bolsonarismo é um sintoma da frustração social com promessas não cumpridas da Constituição de 1988.
Embora a Constituição tenha trazido avanços, o Brasil ainda enfrenta problemas profundos, como a desigualdade social. O professor enfatiza que, além de responsabilizar os autores do atentado à democracia, é crucial entender as razões que permitiram a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro, que contaram com o apoio de uma parte significativa da população nas eleições de 2018. Para Nunes, é fundamental abordar a decepção e o ressentimento de setores da sociedade como parte de um projeto coletivo.
Desigualdade e Caos Orçamentário
A concentração de renda é uma questão central a ser combatida para fortalecer a democracia. Nunes observa que a desigualdade se manteve e até se agravou durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. A discussão sobre reforma tributária é vista como um passo necessário, mas enfrenta resistência de grupos políticos que defendem interesses oligárquicos.
O caos orçamentário também é uma preocupação. Nos últimos anos, o governo federal perdeu a capacidade de executar o Orçamento aprovado pelo Congresso, uma situação que se intensificou sob a gestão de Bolsonaro. O professor aponta que a falta de transparência na destinação de recursos públicos e o uso de emendas parlamentares impositivas favorecem a perpetuação da desigualdade.
Caminhos para a Democracia
Nunes afirma que a frustração com a democracia pode levar à deslegitimação do sistema. Ele ressalta que o fortalecimento da democracia depende do combate a diferentes formas de desigualdade, incluindo questões de gênero e raça. Quanto menor for o desencanto com a democracia, mais fracas serão as tentativas de subverter a ordem democrática. O professor conclui que a recuperação do potencial emancipatório da Constituição de 1988 exige um esforço coletivo para enfrentar esses desafios.
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