- Um juiz boliviano condenou dois altos cargos da Companhia de Jesus a um ano de prisão por encobrimento de abusos sexuais cometidos por um misionário espanhol.
- A decisão foi proferida em Cochabamba e é um marco na luta contra a pederastia clerical, envolvendo o agressor Alfonso Pedrajas, que admitiu ter agredido sexualmente 85 crianças.
- Os condenados, Marcos Recolons e Ramón Alaix, foram líderes da ordem durante os períodos em que as denúncias contra Pedrajas foram mais frequentes.
- A sentença também inclui a investigação de novos casos de pederastia clerical e a oferta de apoio às vítimas pelos Serviços Legais Integrais Municipais.
- A associação de vítimas comemorou a ampliação das investigações, considerando que as revelações representam apenas a “ponta do iceberg”.
Um juiz boliviano condenou dois altos cargos da Companhia de Jesus a um ano de prisão por encobrimento de abusos sexuais cometidos por um misionário espanhol. A decisão, proferida em Cochabamba, é um marco na luta contra a pederastia clerical, especialmente em um caso onde o agressor, Alfonso Pedrajas, admitiu ter agredido sexualmente 85 crianças.
A sentença foi lida em um tribunal de justiça e incluiu a determinação de investigar uma dúzia de novos casos de pederastia clerical que surgiram durante o processo. Os condenados, Marcos Recolons e Ramón Alaix, ambos com mais de 80 anos, foram líderes da ordem durante os períodos em que as denúncias contra Pedrajas foram mais frequentes. O juiz destacou que a evidência apresentada foi suficiente para estabelecer a responsabilidade dos réus.
Investigação em Andamento
A decisão judicial também ordenou que os Serviços Legais Integrais Municipais ofereçam apoio às vítimas e que os condenados se submetam a tratamento psicológico. A associação de vítimas, Comunidad Boliviana de Sobrevivientes (CBS), comemorou a ampliação das investigações, afirmando que isso representa apenas a “ponta do iceberg”.
As revelações sobre os abusos de Pedrajas, que vieram à tona em abril de 2023, resultaram em uma série de novas denúncias contra outros jesuítas. A Fiscalia boliviana já está investigando casos adicionais, incluindo um jesuíta acusado de agredir sexualmente um jovem e outro que, segundo documentos internos, foi protegido pela hierarquia da Igreja.
Implicações e Repercussões
A condenação é histórica, pois é a primeira vez que altos eclesiásticos são responsabilizados por encobrimento de abusos em um caso onde o perpetrador já faleceu. A investigação da Fiscalia revelou que a hierarquia eclesiástica, tanto na Bolívia quanto em Roma, recebeu denúncias e optou por ocultá-las, transferir os acusados ou silenciar as vítimas.
Além disso, outros casos de abusos clericais estão sendo analisados, incluindo os de Alejandro Mestre e Lucho Roma, cujas ações também foram encobertas por superiores. A pressão da sociedade e a atuação da mídia têm sido fundamentais para que esses casos sejam finalmente investigados.
Entre na conversa da comunidade