- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou os Estados Unidos de posicionar nove embarcações, incluindo oito navios e um submarino nuclear, em direção à Venezuela, especialmente na região de Caracas.
- Segundo Maduro, as embarcações transportam 1.200 mísseis.
- A tensão entre os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, e a Venezuela, sob o comando de Maduro, aumentou nos últimos dias, com um histórico de conflitos que já dura anos.
- Em 7 de agosto, os Estados Unidos aumentaram a recompensa por informações sobre Maduro para US$ 50 milhões, após já ter sido de US$ 25 milhões e US$ 15 milhões em administrações anteriores.
- O governo venezuelano criticou as ações dos Estados Unidos, afirmando que está preparado para reagir a qualquer intervenção militar.
Nesta última segunda-feira (1), durante uma coletiva, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou os Estados Unidos de enviar nove embarcações, sendo oito navios e um submarino nuclear, posicionadas diretamente em direção à Venezuela, especialmente na região de Caracas. Segundo Maduro, as embarcações transportam 1.200 mísseis.
Esse cenário se torna cada vez mais comum com a tensão crescente entre os Estados Unidos, governados por Donald Trump, e a Venezuela, sob o comando de Nicolás Maduro. Embora a situação tenha se intensificado nos últimos dias, o conflito entre os dois presidentes já dura anos. Pensando nisso, o Portal Tela reuniu tudo que você precisa saber para compreender melhor a situação entre os dois países.
O início com o governo Trump
O desentendimento entre a Venezuela e Donald Trump começou em meados de 2020, durante o primeiro mandato do presidente americano. Na época, Maduro foi acusado de facilitar o transporte de 250 toneladas de cocaína para os Estados Unidos, segundo o ex-secretário de Justiça Bill Barr.
Junto disso, o governo americano acusou formalmente Maduro de liderar o chamado *Cartel de Los Soles*, ou *Cartel dos Sóis*. Segundo Washington, ele teria usado a organização criminosa para corromper instituições venezuelanas, como as Forças Armadas, o aparato de inteligência, o Legislativo e o Judiciário, com o objetivo de facilitar a exportação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos.
Além da ligação com o narcotráfico, desde 2020 o governo americano acusa a Venezuela de ser uma “ameaça à democracia”, devido a seu regime frequentemente classificado como uma ditadura ou autoritário. O secretário de Estado norte-americano afirmou que “Maduro estrangulou a democracia e se agarrou ao poder” e não o reconheceu formalmente como presidente do país.
O Cartel de Los Soles
Anteriormente mencionado, o *Cartel de Los Soles*, ou *Cartel dos Sóis,* desempenhou um papel central na escalada da tensão entre os dois países e se tornou ponto principal das recentes ações americanas contra a Venezuela.
O *Cartel dos Sóis* é considerado pelo governo americano uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas da América do Sul para os Estados Unidos. Em 25 de julho deste ano, Washington classificou o cartel como uma organização terrorista, e em seguida outros países, como Argentina e Bolívia, adotaram a mesma medida.
Porém, não há um consenso exato sobre a estrutura, a formação e a atuação do grupo. Especialistas afirmam que o *Cartel dos Sóis* funciona como uma rede descentralizada, formada por diversos grupos que facilitam o tráfico de drogas, e não como um quartel com hierarquia definida, o que contesta as alegações do governo americano sobre a liderança de Maduro sob a rede.
A *ONU*, inclusive, nunca mencionou o cartel oficialmente. Jeremy McDermott, da *InSight Crime*, afirmou que Maduro, mesmo sem ser líder e sem lucrar diretamente com o tráfico, se beneficia da rede ao trocar militares com o grupo para se manter no poder.
O histórico do governo com a rede criminosa não é recente. Desde meados da década de 1990, figuras de alto escalão do governo já atuavam em conjunto com o narcotráfico e a Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo este ligado ao narcotráfico. Esse foi o caso de Hugo Carvajal, conhecido como *El Pollo*, ex-chefe da Inteligência Militar venezuelana, que se declarou culpado este ano nos Estados Unidos por crimes ligados ao narcotráfico.
A recompensa americana por Maduro e o início das investidas
Em 7 de agosto, os Estados Unidos passaram a agir diretamente contra Maduro e a intimidá-lo. Na mesma data, o governo americano elevou para US$50 milhões (aproximadamente R$270 milhões) a recompensa por informações ou provas que pudessem levar à condenação do presidente da Venezuela.
Esta não é a primeira vez que a recompensa, imposta desde o primeiro mandato de Trump, é aumentada. Em janeiro, durante o governo Biden, o valor era de US$25 milhões (aproximadamente R$135 milhões) e, anteriormente, durante o governo Trump, a recompensa era de US$15 milhões (aproximadamente R$75 milhões).
Após o aumento da recompensa, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, criticou a medida, chamando-a de patética e afirmando que se tratava de uma tentativa desesperada do governo americano de desviar a atenção das investigações sobre os arquivos de Jeffrey Epstein.
Em 18 de agosto, os Estados Unidos enviaram três embarcações à costa da Venezuela, justificando a ação como parte do combate ao narcotráfico na região. Segundo o UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), o país atua mais como corredor estratégico do tráfico do que como gerador, não sendo reconhecido pelo órgão como produtor de cocaína.
No dia 19 de agosto, a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt, afirmou que Donald Trump usaria “toda sua força” contra Maduro e seu regime na Venezuela. Em resposta, o presidente venezuelano classificou como “ameaças” as acusações de narcotráfico e declarou que o país defenderá seus mares e céus.
No sábado, 30 de agosto, o Partido dos Trabalhadores (PT), partido do atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou os Estados Unidos e suas ameaças à Venezuela, afirmando em nota que “não precisamos de intervenções autoritárias, alheias ao continente, para superarmos nossos desafios”.
Um dia após a declaração do PT, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que o país está preparado para reagir caso haja uma intervenção militar dos Estados Unidos. No dia seguinte, Maduro acusou o governo americano de mobilizar oito embarcações com mais de 1.200 mísseis apontados diretamente para a Venezuela.
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