- O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta um escândalo de suborno envolvendo sua irmã, Karina Milei.
- A situação gerou insatisfação popular e queda na aprovação do presidente, que atingiu 39% em agosto.
- A pesquisa da Trespuntozero aponta que 73% da população está preocupada com as alegações de corrupção.
- As eleições legislativas de 7 de setembro na província de Buenos Aires são um teste crucial para Milei, que busca consolidar sua base.
- O desempenho nas eleições de 26 de outubro para o Congresso será fundamental para a aprovação de suas reformas econômicas.
BUENOS AIRES (Reuters) – O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta um momento crítico em seu governo devido a um escândalo de suborno que envolve sua irmã, Karina Milei, e uma crescente insatisfação popular. A situação se agrava à medida que as eleições legislativas se aproximam, potencialmente afetando suas reformas econômicas.
Milei, que assumiu a presidência em 2023 com uma plataforma antiestablishment e promessas de austeridade, conseguiu reduzir a inflação mensal de 25% para cerca de 2% em julho e alcançou um superávit orçamentário inédito em mais de uma década. No entanto, a recente divulgação de gravações que sugerem a participação de sua irmã em atividades ilícitas levantou sérias dúvidas sobre a integridade de seu governo.
As pesquisas indicam uma queda acentuada na aprovação de Milei, que atingiu 39% em agosto, um recorde negativo desde sua posse. A pesquisa da Trespuntozero revela que 73% da população está preocupada com as alegações de corrupção. O clima de incerteza também impactou o mercado financeiro, que viu uma queda de 14% em suas ações no último mês.
Desafios Eleitorais
As eleições de 7 de setembro na província de Buenos Aires, onde reside quase 40% do eleitorado argentino, serão um teste crucial para Milei. Ele busca consolidar sua base e acabar com o kirchnerismo, movimento liderado pela ex-presidente Cristina Kirchner. Especialistas políticos, como Facundo Cruz, acreditam que, apesar do escândalo, Milei pode não perder muito apoio devido à polarização do cenário político.
Além disso, as eleições de 26 de outubro para o Congresso são fundamentais, pois uma bancada maior poderia facilitar a aprovação de suas reformas. Contudo, a oposição já começou a contestar suas políticas de austeridade, derrubando seu veto a um projeto de lei que amplia o orçamento para pessoas com deficiência. Um desempenho fraco nas eleições pode intensificar as incertezas sobre a capacidade de Milei de implementar suas propostas, que são vistas com otimismo por muitos investidores.
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