- Mikhail Zygar, jornalista russo exilado em Nova York, participou do Festival piauí de Jornalismo em São Paulo.
- Ele discutiu a repressão à mídia na Rússia e a autocensura nos Estados Unidos.
- Zygar foi condenado a oito anos e meio de prisão por criticar a invasão da Ucrânia e denunciar crimes de guerra.
- O jornalista expressou seus medos de ser preso ao retornar à Rússia e destacou a intensificação da perseguição a jornalistas desde 2022.
- Zygar, ex-líder da TV Rain, colabora com veículos internacionais e lançou o livro *War and Punishment*, reconhecido pela revista *The New Yorker*.
Mikhail Zygar, jornalista russo exilado em Nova York, participou do Festival piauí de Jornalismo em São Paulo, onde discutiu a repressão à mídia na Rússia e a autocensura nos Estados Unidos. Zygar, considerado “agente estrangeiro” e procurado pelo governo russo, foi condenado a oito anos e meio de prisão por criticar a invasão da Ucrânia e denunciar crimes de guerra.
Durante o evento, ele relatou seus temores de ser preso ao retornar à Rússia. Zygar afirmou que sua condenação se deu por disseminar “notícias falsas” ao expor a realidade da guerra, que o governo de Putin classifica como uma “operação militar”. O jornalista destacou que a perseguição a jornalistas se intensificou desde o início do conflito em 2022, com novas leis que criminalizam discursos divergentes.
Zygar, que liderou a TV Rain, o único canal independente da Rússia, enfrentou boicotes e dificuldades financeiras ao longo de sua carreira. Desde seu exílio, ele colabora com veículos como The New York Times e CNN, e lançou o livro *War and Punishment*, considerado um dos melhores lançamentos de 2023 pela revista *The New Yorker*. Ele mencionou que, apesar da censura, o Telegram se tornou uma plataforma importante para o jornalismo independente na Rússia.
O jornalista também comentou sobre a escalada da autocensura nos EUA, refletindo sobre suas próprias hesitações ao escrever. Zygar expressou que, embora a situação na Rússia seja crítica, ainda é cedo para afirmar que o jornalismo americano está em declínio. Ele ressaltou que muitos jornalistas russos fugiram do país, mas continuam a lutar pela liberdade de expressão.
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