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Europa debate repatriação de mulheres jihadistas do Estado Islâmico em meio a incertezas

França repatriou 169 crianças e 57 mulheres ligadas ao Estado Islâmico, mas debate sobre retorno continua acirrado e complexo.

Mulheres iraquianas se preparam para deixar o campo de prisioneiros de al-Hol, na Síria, em um grupo de mais de 800 repatriados (Foto: Reprodução)
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  • Nos últimos anos, mulheres de vários países, como França e Bélgica, se uniram ao Estado Islâmico (EI) em busca de empoderamento e fuga da marginalização social.
  • Desde a queda do califado em 2019, muitas retornaram, mas a repatriação continua sendo um desafio para os governos.
  • A França repatriou 169 crianças e 57 mulheres até 2023, após pressões internacionais e condenações de organismos como a Corte Europeia de Direitos Humanos.
  • As repatriações coletivas foram suspensas, e agora os casos são avaliados individualmente.
  • Mulheres que se juntaram ao EI desempenharam papéis ativos, como recrutadoras, e a islamofobia na França contribuiu para sua radicalização.

Nos últimos anos, mulheres de diversos países, incluindo França e Bélgica, se uniram ao Estado Islâmico (EI), atraídas por promessas de empoderamento e uma fuga da marginalização social. Desde a queda do califado em 2019, muitos retornaram, mas a repatriação continua a ser um dilema para os governos.

A França, que repatriou 169 crianças e 57 mulheres até 2023, enfrenta pressões internacionais para trazer de volta suas cidadãs. As repatriações coletivas começaram após condenações da Corte Europeia de Direitos Humanos e do Comitê da ONU contra a Tortura. Em janeiro de 2023, a França trouxe de volta 15 mulheres e 32 crianças, mas anunciou que não faria mais repatriações coletivas, avaliando casos individualmente.

As mulheres que se juntaram ao EI não eram apenas esposas e mães; muitas desempenharam papéis ativos, como recrutadoras e propagandistas. Hamoon Khelghat-Doost, especialista em motivações jihadistas, explica que essas mulheres buscavam um espaço onde pudessem viver sua fé sem discriminação. A socióloga Agnès de Féo observa que a islamofobia na França contribuiu para a radicalização, destacando que a proibição do uso do véu em espaços públicos levou muitas a se sentirem ainda mais marginalizadas.

Além da França, outros países, como Canadá e Bélgica, também repatriaram cidadãos que se juntaram ao EI. O Brasil, por sua vez, trouxe de volta Karina Aylin Rayol Barbosa, que havia se juntado ao grupo em 2016. A questão do repatriamento é especialmente sensível na França, que sofreu diversos atentados jihadistas, aumentando a resistência pública a aceitar de volta ex-membros do EI.

As repatriações são acompanhadas de processos legais rigorosos. Adultos que retornam devem enfrentar a Justiça, enquanto crianças são separadas dos pais e avaliadas por serviços sociais. A complexidade do tema reflete a luta entre direitos humanos e segurança nacional, com muitos defendendo que as mulheres que se radicalizaram merecem uma segunda chance.

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